Outro dia, em uma aula, eu expliquei aos meus alunos a base do que é a sociedade de consumo. Daí que resolvi compartilhar aqui com vocês. Se questiona muito sobre o que é a nossa sociedade atual: uma sociedade dita de consumo, de valores superficiais. Mas, quais são as bases dessa sociedade, ou seja, quais as características que tornam esse momento da história humana particular? E, por que a alcunha "sociedade de consumo"?
Bom, vocês devem notar que a vida útil dos bens duráveis hoje é menor do que já foi um dia. Assim, uma máquina de lavar de 1970 durava mais do que dura hoje uma máquina de lavar vendida nos tempos atuais. Da mesma forma, a vida útil de um carro ano 1960 era superior do que a vida útil de um carro ano 1988, por exemplo. Até o estado de conservação é outro, dado que se necessita fazer menos manutenção.
O que ocorre é que a fabricação dos produtos atuais é feita para durar menos, como forma de forçar a necessidade de que as pessoas sempre precisem adquirir tal produto. Como se sabe, de tempos em tempos, devido a deterioração dos bens duráveis, como máquina de lavar, geladeira, fogão, TV, carro, entre outros, é necessário comprar novos para repor aqueles que já estão com a qualidade comprometida devido ao desgaste. Assim, reduzindo o tempo de vida útil, forçasse a busca por novos produtos. Como consequência, dinamizasse a produção e mantém as empresas constantemente operando. Por isso o tempo de vida útil desses equipamentos domiciliares fora reduzido: é uma forma de manter a demanda pelo produto em patamar que mantenha uma produção elevada.
A outra característica presente na nossa sociedade atual, dita de consumo, advém das aceleradas alterações tecnológicas. As pessoas só consomem um bem por dois motivos: ou porque querem adquirir algo novo ou porque precisam repor o que fora desgastado devido ao uso ao longo do tempo. Reduzir o tempo de vida útil de um produto faz com que haja uma demanda constante pelo produto. No entanto, a cada ano, uma pequena parcela de toda a demanda é reposta. Dessa forma, é através da novidade, do novo, que as empresas conseguem levantar grandes ganhos, por isso a corrida tecnológica em determinados setores.
Assim, essas são as duas bases em que se mantém a sociedade de consumo: redução do tempo de vida útil dos bens duráveis e veloz avanço tecnológico. Mas o veloz avanço da alteração tecnológica merece um olhar mais acurado de nossa parte. Esse se realiza na mente dos indíviduos por dois caminhos. Primeiro, a propaganda incute no indivíduo a necessidade de ter o produto, que muitas das vezes é supérfluo em sua vida. Mas, devido à propaganda e, ao consequente efeito que a propaganda o faz, o indivíduo crê que precisa do produto. O segundo caminho é um aspecto meramente da nossa coletividade. Se você possui um celular que serve para ligar e passar mensagens, você é visto como um "pobre" por não ter um "BlackBerry" ou um "IPhone", por exemplo. Da mesma forma, que se você comprar uma camisa do seu time de futebol e, dois meses depois, seu time trocar o uniforme, você mesmo vai começar a achar que sua camisa é velha. Ou então, quando você for a um estádio, vai ter a impressão que todos estão achando que sua camisa é velha e ultrapassada. Isso porque você tenha comprado a camisa há dois meses.
As empresas, muitas vezes, colocam produtos novos no mercado, que não trazem em si grandes alterações tecnológicas, apenas deixam a sensação de que algo é novo e o que você possui é velho. O que cria nas pessoas, pelo menos grande parcela delas, a sensação de que precisam ir às compras de novo. Para tanto, é necessário uma sociedade que se sinta carente, frágil e que, tal qual uma criança mimada, precise a todo instante, ver seus desejos supridos. Uma sociedade assim, pensa pouco e reage com alguma violência ao ser contrariada.
Se questiona muito sobre a perda de valores dos jovens. No entanto, eles são frutos do sistema atual que se renova em grande velocidade, precisando de uma massa de consumidores que não reflita sobre as bases de nossa sociedade. Muitas das características que vislumbramos hodiernamente em nossa sociedade advém desse sitema.
Quebrar o sistema, alterá-lo para tornar cidadãos mais conscientes, mais pensadores e menos manipulados por seus impulsos, falsamente criados? Acho difícil e pouco crível. A manutenção dos empregos da forma que se dá hoje, se baseia muito nesse sistema. Se o tempo de vida útil fosse maior e/ou as mudanças tecnológicas (ou, em muitos casos, mera mudança de "embalagem", no caso de alguns produtos) o que ocorreria é que seria necessário produzir menos para repor o que foi desgastado. Além disso, as pessoas só comprariam quando fosse realmente necessário. Com isso, ao produzir menos, e tendo um consumidor consciente, pouco manipulável, as empresas produziriam menos e, portanto, precisariam de menos trabalhadores. Aumentando assim a massa dos desempregados, o que teria fortes repercussões sociais. Assim, em suma, precisamos de uma sociedade fraca, carente e alienada para manter a economia em crescimento.
Talvez você esteja se perguntando o que esse tema tem a ver com o mundo dos mercados financeiros. Diria que tudo. Entender o mundo em que vivemos, a base em que ele está construído, seus valores e idiossincrasias, ajudam-nos a entender as pespectivas dos diferentes setores da economia e a dinâmica de cada setor, em cada momento. Mercado financeiro não é só formado por relações econômicas, mas também pelo estudo sociológico dos diferentes grupos (principalmente se é possível saber qual o público-alvo de uma dada empresa), do conhecimento da psicologia social, do raciocínio abstrato advindo da filosofia, entre outros conhecimentos.
Olá Márcio. Gostei do seu blog. Estou iniciando o curso de Marketing e publicidade e por um acaso encontrei a sua página.
ResponderExcluirParabéns e felicidade.
Tudo bem, Mercedes!?
ResponderExcluirObrigado pelas palavras gentis. Sucesso no curso de Marketing e Publicidade.
Bjs.