Blog destinado a troca de informações sobre aspectos ligados à análise econômica e financeira, análise de ativos e análise da conjuntura econômica.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O Que é a Nossa Sociedade de Consumo?
Bom, vocês devem notar que a vida útil dos bens duráveis hoje é menor do que já foi um dia. Assim, uma máquina de lavar de 1970 durava mais do que dura hoje uma máquina de lavar vendida nos tempos atuais. Da mesma forma, a vida útil de um carro ano 1960 era superior do que a vida útil de um carro ano 1988, por exemplo. Até o estado de conservação é outro, dado que se necessita fazer menos manutenção.
O que ocorre é que a fabricação dos produtos atuais é feita para durar menos, como forma de forçar a necessidade de que as pessoas sempre precisem adquirir tal produto. Como se sabe, de tempos em tempos, devido a deterioração dos bens duráveis, como máquina de lavar, geladeira, fogão, TV, carro, entre outros, é necessário comprar novos para repor aqueles que já estão com a qualidade comprometida devido ao desgaste. Assim, reduzindo o tempo de vida útil, forçasse a busca por novos produtos. Como consequência, dinamizasse a produção e mantém as empresas constantemente operando. Por isso o tempo de vida útil desses equipamentos domiciliares fora reduzido: é uma forma de manter a demanda pelo produto em patamar que mantenha uma produção elevada.
A outra característica presente na nossa sociedade atual, dita de consumo, advém das aceleradas alterações tecnológicas. As pessoas só consomem um bem por dois motivos: ou porque querem adquirir algo novo ou porque precisam repor o que fora desgastado devido ao uso ao longo do tempo. Reduzir o tempo de vida útil de um produto faz com que haja uma demanda constante pelo produto. No entanto, a cada ano, uma pequena parcela de toda a demanda é reposta. Dessa forma, é através da novidade, do novo, que as empresas conseguem levantar grandes ganhos, por isso a corrida tecnológica em determinados setores.
Assim, essas são as duas bases em que se mantém a sociedade de consumo: redução do tempo de vida útil dos bens duráveis e veloz avanço tecnológico. Mas o veloz avanço da alteração tecnológica merece um olhar mais acurado de nossa parte. Esse se realiza na mente dos indíviduos por dois caminhos. Primeiro, a propaganda incute no indivíduo a necessidade de ter o produto, que muitas das vezes é supérfluo em sua vida. Mas, devido à propaganda e, ao consequente efeito que a propaganda o faz, o indivíduo crê que precisa do produto. O segundo caminho é um aspecto meramente da nossa coletividade. Se você possui um celular que serve para ligar e passar mensagens, você é visto como um "pobre" por não ter um "BlackBerry" ou um "IPhone", por exemplo. Da mesma forma, que se você comprar uma camisa do seu time de futebol e, dois meses depois, seu time trocar o uniforme, você mesmo vai começar a achar que sua camisa é velha. Ou então, quando você for a um estádio, vai ter a impressão que todos estão achando que sua camisa é velha e ultrapassada. Isso porque você tenha comprado a camisa há dois meses.
As empresas, muitas vezes, colocam produtos novos no mercado, que não trazem em si grandes alterações tecnológicas, apenas deixam a sensação de que algo é novo e o que você possui é velho. O que cria nas pessoas, pelo menos grande parcela delas, a sensação de que precisam ir às compras de novo. Para tanto, é necessário uma sociedade que se sinta carente, frágil e que, tal qual uma criança mimada, precise a todo instante, ver seus desejos supridos. Uma sociedade assim, pensa pouco e reage com alguma violência ao ser contrariada.
Se questiona muito sobre a perda de valores dos jovens. No entanto, eles são frutos do sistema atual que se renova em grande velocidade, precisando de uma massa de consumidores que não reflita sobre as bases de nossa sociedade. Muitas das características que vislumbramos hodiernamente em nossa sociedade advém desse sitema.
Quebrar o sistema, alterá-lo para tornar cidadãos mais conscientes, mais pensadores e menos manipulados por seus impulsos, falsamente criados? Acho difícil e pouco crível. A manutenção dos empregos da forma que se dá hoje, se baseia muito nesse sistema. Se o tempo de vida útil fosse maior e/ou as mudanças tecnológicas (ou, em muitos casos, mera mudança de "embalagem", no caso de alguns produtos) o que ocorreria é que seria necessário produzir menos para repor o que foi desgastado. Além disso, as pessoas só comprariam quando fosse realmente necessário. Com isso, ao produzir menos, e tendo um consumidor consciente, pouco manipulável, as empresas produziriam menos e, portanto, precisariam de menos trabalhadores. Aumentando assim a massa dos desempregados, o que teria fortes repercussões sociais. Assim, em suma, precisamos de uma sociedade fraca, carente e alienada para manter a economia em crescimento.
Talvez você esteja se perguntando o que esse tema tem a ver com o mundo dos mercados financeiros. Diria que tudo. Entender o mundo em que vivemos, a base em que ele está construído, seus valores e idiossincrasias, ajudam-nos a entender as pespectivas dos diferentes setores da economia e a dinâmica de cada setor, em cada momento. Mercado financeiro não é só formado por relações econômicas, mas também pelo estudo sociológico dos diferentes grupos (principalmente se é possível saber qual o público-alvo de uma dada empresa), do conhecimento da psicologia social, do raciocínio abstrato advindo da filosofia, entre outros conhecimentos.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Privatização: Porque o Processo parou nos Últimos Anos
Nas duas últimas eleições tem sido assim: chega época de eleição e o PT adota o "terrorismo" político de que se o PSDB ganhar as eleições presidenciais irão voltar as privatizações. Do mesmo modo a incapacidade dos candidatos a presidência, pelo PSDB, não deixa claro se vão ou não privatizar.
A função do governo é primordial em determinados setores como a segurança nacional e pública, o poder de polícia ao fiscalizar os diferentes processos de produção, quanto aos aspectos sanitários dos mesmos, peso adequado, entre outros, da mesma forma que também é importante no processo de resolução da liades. Outrossim, existem bens, ditos meritórios, saúde e educação, que por trazerem benefícios a sociedade cabe ao Estado oferecê-los à sociedade.
Mas, e bens industriais, típicos das relações de mercado, como produção e distribuição de energia elétrica, fornecimento de gás, pré-sal e outros mais? Há setores que tendem a uma estrutura de mercado monopolizada: ou porque o mercado é pequeno, ou porque os custos são elevados e impeditivos para outras empresas adentrarem o setor.
No Brasil, o fato de o governo federal e os governos estaduais criaram empresas porque perceberam que os altos custos de certos setores, importantes para o desenvolvimento da indústria nacional, ainda incipiente àquela época, o forçaram a isso. O motivo se baseou no dimensionamento do mercado, dada a restrita demanda, fruto do baixo poder aquisitivo da população à época. Outro motivo era os elevados custos iniciais frente ao seu payback (tempo necessário para recuperar o capital inicial investido, sem levar em conta o custo do dinheiro ao longo do tempo).
Com o tempo, fruto do aperto fiscal pelo qual o país passou nos fins dos anos 1970 e ao longo da década de 1980, foi ficando difícil para os governos federal e estaduais (esses ainda se utilizaram dos recursos de suas instituições bancárias estaduais para continuar investindo em suas empresas estatais estaduais até o advento do Plano Real e o fim das taxas elevadas de inflação no país) investirem em suas, respectivas empresas. Muitas empresas, conseqüentemente, ficaram defasadas em seus equipamentos e tecnologia existente. Portanto, isso acabou se refletindo na produtividade dessas empresas, que passaram a ser ineficientes dado o serviço que prestavam à população.
O processo de privatização veio como uma forma de essas empresas se recapitalizarem e obterem recursos para novos investimentos. Como tal, nos setores de maior importância para a sociedade, o governo saiu da parte executiva, para a regulatória: assim foram criadas as agências reguladoras. Durante o processo de privatização, no Brasil, as receitas oriundas da privatização serviram para abater déficits fiscais em cursos em dado ano.
Ao longo do período de inflação aberta, onde o Brasil possuía taxas de inflação elevadas, as contas fiscais eram ajustadas, ao longo do governo de Fernando Collor e do governo de Itamar Franco, por meio do encurtamento do período de arrecadação dos impostos. Além disso, os ministros da Fazenda aprenderam a não negar nenhuma despesa requerida, apenas iam adiando o gasto da mesma o quanto possível, de forma a que a inflação corroesse as rubricas de despesa e, assim, ajusta-se o orçamento público, de forma a manter as contas entre despesas e receitas equilibradas.
Com o fim da inflação no Brasil, pelo menos o fim de taxas elevadas ao mês (tivemos inflação de 33% no primeiro ano do Real), já não era mais possível usar esse processo para o ajuste das contas públicas. Logo, ainda antes da entrada em vigor do Plano Real o governo tenha elaborado um Fundo Social de Emergência, que nada mais era do que a desvinculação das receitas orçamentárias. Ou seja, foi uma forma encontrada pelo governo de ter flexibilidade no orçamento, dado que após a Constituição de 1988 o governo passou a ter parte significante de suas receitas atreladas a gastos ou transferências específicas. Ainda assim, não foi suficiente para ajustar as contas do governo, que passou a ter um elevado déficit nominal (fiscal).
Assim, as privatizações serviram para suprir parte do déficit fiscal existente no período. Em outras palavras, como eram calculados após o cálculo das necessidades de financiamento do setor público (NFSP), os recursos oriundos da privatização serviam para abater esses gastos. Dessa forma, sem os recursos das privatizações o déficit fiscal seria maior ainda. Logo, maior seria o montante do endividamento público também.
O processo de privatização, que no início servia para trazer novos investimentos para determinadas empresas e, assim, recapitalizar as mesmas e melhorar sua eficiência produtiva, acabou ganhando novo corpo com a necessidade de se gerar saldos para evitar que a dívida pública crescesse desmensuradamente, em um momento em que as contas públicas ainda se ajustavam. Ao longo do tempo, as contas públicas se ajustaram pelo aumento da carga tributária e depois, já no governo Lula, pela retomada do crescimento econômico. Daí que hoje, as receitas oriundas das privatizações já não são vitais para o ajuste das contas públicas nacionais.
Ficam questões a serem resolvidas em outras postagens. Por que se argumenta que as empresas estatais brasileiras foram vendidas abaixo de seu valor de mercado, isso é verdade? Por que eu afirmo que o processo de o governo reestatizar ou mesmo construir empresas estatais é anacrônico? E o que está por trás desse processo de se construir empresas economicamente falando? ( São coisas a se responder em outras postagens, em breve).
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Aluguel de Ações
Quando o número de aluguéis aumenta, significa que as intituições financeiras (que são as que mais operam descoberto, ou seja, as que mais alugam ações para a venderem posteriormente) estão apostando na baixa daquela ação. Ou seja, elas alugam a ação, vendem-na no mercado, esperando o preço cair e a recompram de novo, devolvendo a quem pegaram emprestado. O ganho na operação para aquele que pegou a ação a descoberto, por meio do aluguel de ações, se dá pelo diferencial. Ele vendeu a ação na alta e, como o preço foi baixando ao longo do tempo, ele a recomprou na baixa, no momento em que considerou o preço da ação baixo o suficiente para realizar seu ganho na operação
.
Assim, se o número de pedidos de uma determinada ação aumenta em dado momento, significa que as instituições financeiras estão apostando na queda do ativo para os próximos pregões. Se o número de aluguéis diminui, ocorre o oposto, ou seja, o mercado está apostando que o ativo já caiu o necessário e dali em diante a tendência é subir; então as instituições financeiras, que como disse antes, são as que em maior parte vendem a descoberto, por meio do aluguel de ações, começam a recomprar a ação, vendo que não há muito espaço para novas quedas. No entanto, se houver muitas posição de aluguéis de ações em aberto, é possível que o ativo demore a subir, enquanto outros no mercado demorarem a perceber a mudança na tendência, de baixista para altista.
Essa é uma forma de se saber se as principais instituições do mercado estão apostando em uma alta ou em uma baixa, para um dado ativo (ação). Mesmo assim, vale ressaltar: ao se fazer essa análise, sobre os pedidos de aluguéis de ação, que o indivíduo deve levar em conta as notícias do setor, as notícias do cenário econômico nacional e internacional, ter consciência da dinâmica dos múltiplos P/L e P/VPA, analisar também os indicadores técnicos como o IFR, o estocástico, o MACD, em suma, buscar outras informações que deem a ele a segurança de que sua análise está correta e bem centrada.
Em suma, é um conjunto de informações que vão nos dar a segurança de que aquele é mesmo o ativo a se abrir uma posição e se a tendência para o mesmo é de baixa ou de alta. Assim, o número de pedidos de aluguel de ações é apenas mais uma informação, entre tantas, a serem checadas antes de se abrir um posição em uma ação. No Brasil. um bom site para se checar a dinâmica para uma ação ao longo dos últimos pregões é dada em http://www.dadosdabolsa.com/
Abraços a todos e bons negócios, qualquer dúvida é só perguntar!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Explicando o Porquê a GOAU4 Não Cresce
Bom, o número de pedidos de aluguéis da GOAU4 era de cerca de 1 milhão e 400 mil em 13 de setembro, em 21 de outubro estava em cerca de 47 mil. Coincidentemente, o ativo estava cotado a 30,22 em 13 de setembro, fechando ontem a 24,50. Nesses 27 pregões, a ação caiu em 18 dos pregões e ficou em um estável, subindo só em 8 pregões, sendo que em 6 desses o aumento não foi superior a 0,62%. Assim, a forte desova nos pedidos de aluguel da GOAU4 sustentaram a queda do ativo ao longo das últimas semanas.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Elevação da taxa de Juros Básica na China em 0,25%
A questão é que o aumento na taxa de juros básica da economia significa que menos dinheiro estará em circulação, uma vez que o banco central chinês passará a vender títulos públicos, reduzindo assim o preço desses, que passarão a ser vendidos com deságio, e, portanto, elevando a taxa de juros no país. (Como aumentará a quantidade de vendas de títulos públicos, pela lei da oferta e da procura, o preço dos títulos irá cair, portanto, será vendido com deságio.) Quando o banco central vende títulos públicos, ele enxuga a liquidez da economia, uma vez que há menos dinheiro em circulação. Dessa forma, para uma mesma produção, o poder de compra das pessoas, no agregado, diminui. (Com uma menor quantidade de dinheiro em circulação, o custo do uso do dinheiro, que é dado pela taxa de juros, sobe, uma vez que o dinheiro se torna mais raro.) Assim, há um desaquecimento na economia, que desacelerará as taxas de crescimento.
Portanto, a consequência do aumento nas taxas de juros será uma redução do meio circulante na economia. O problema é que como o câmbio é fixo, o banco central chinês se vê obrigado a trocar dólares por yuan sempre que alguém o desejar. E com taxas de juros mais elevadas, torna mais atraente ao investidor externo, com capitais ociosos, investir na China. Agora não mais comprando muitas ações de empresas, mas direcionando um volume maior para a compra de títulos públicos do governo chinês, que estarão sendo vendidos com deságios e, portanto, com taxas de retornos mais elevadas.
FESA4
Além disso, houve uma redução de 23% nos pedidos de aluguel de ações para o ativo entre os pregões que vão de 6 a 19 de outubro. O que diminui a força daqueles que apostam na queda do ativo.
Motivos que Levam a Comprar um Ativo: o caso da MMXM3
O ativo teve um bom crescimento durante 3 pregões antes do de ontem, valorizando cerca de 8%. É um bom crescimento e dói estar fora de um ganho como esse. Nas últimas semanas o Ibovespa subiu de cerca de 64 mil pontos para algo em torno de 72 mil pontos. Naturalmente, muitas açãoes se valorizaram. Em um mercado com tendência de alta, as ações tendem a ter patamares positivos. Por outro lado, um mercado com tendência de baixa puxa todas as ações para o terreno negativo. Como o Ibovespa se esticou muito em pouco tempo, é esperado que os investidores queiram realizar os seus devidos ganhos, para um novo fôlego de crescimento.
Estamos sempre sofrendo com as oscilações de mercado, fruto do noticiário que pipoca dia após dia. Dessa forma, quanto mais curto o prazo que se espera realizar uma operação, tanto mais vítima das notícias estará as ações a serem influenciadas. Portanto, se você pretende investir em uma operação que vá durar pouco tempo, o melhor a se fazer é investir em ativos sólidos. Em outras palavras, investir em ativos com bom potencial de valorização. Para tanto, duas características são importantes: 1) que a empresa cujo ativo você pretenda comprar tenha uma boa gestão financeira e econômica; 2) que o ativo tenha potencial para obter novas valorizações. Para saber se um ativo tem potencial para valorização, duas questões são relevantes: 1º) o ativo estará barato frente a seus indicadores financeiros, como o P/L e o P/VPA? 2º) o ativo teve um grande crescimento nos últimos pregões?
Se o ativo tem um P/L e/ou um P/VPA, comparado a outros ativos do setor em que atua, caro, então, não vale a pena comprá-lo. Isso porque o risco de obter uma valorização nos próximos pregões é menor, uma vez que os investidores tendem a tirar seus recursos de ativos que estejam mais caros (com P/L e/ou P/VPA mais barato dentro de um dado setor da economia) e colocar em ativos que estejam mais baratos, ou, ainda, com potencial de lucros futuros que tornem seu P/L e/ou P/VPA baratos no futuro.
Ainda que um ativo esteja barato, ou tenha potencial de ficar barato, dada a perspectiva de lucros vindouros; vale dizer, ainda que seu P/L atual e/ou seu P/VPA atual esteja barato, ou se projete, dada a expectativa sobre os lucros futuros que fiquem baratos, se esse ativo teve grande alavancagem nos últimos pregões, o espaço para novos crescimentos fica menor. Assim, uma ação que esteja com um P/L muito baixo dentro do setor e que a perspectivas de lucros sejam crescentes para os próximos períodos, mesmo sendo um ótimo negócio, pode sofrer quedas fortes de tempos em tempos. Isso ocorre por dois motivos. Primeiro porque os investidores vão querer realizar seus lucros e vão começar a achar que a qualquer hora os outros investidores sairão do ativo, assim o medo de ser o último a sair faz com que qualquer coisa seja motivo para realizar o ativo e garantir sua realização, até o ativo cair de novo, para uma posterior reentrada.
O outro motivo é que notícias adversas que criem expectativas futuras negativas na economia, como saiu ontem a notícia de que a taxa de juros da China fora elevada (o que cria a expectativa de desaquecimento na economia chinesa e, assim, menos compras de "commodities"; portanto, afetando as expectativas das empresas brasileiras), acabam por criar um cenário baixista que afeta todas as ações, sobrando pouquíssimas que possam resistir.
Em suma, um bom investimento em ações é aquele que está calgado em algumas premissas. Primeiro, a empresa é bem gerida, dado seus indicadores financeiros de liquidez, rentabilidade, margens de lucro, entre outros. Segundo, o ativo está barato, dado seu P/L e seu P/VPA, frente a outros do mesmo setor de atuação. Terceiro, os indicadores técnicos, as notícias sobre a economia, sobre o setor em que a empresa atua e sobre a empresa em particula, somado aos pedidos de aluguel de ações indicam que as pessoas estão apostando ou em uma compra para o ativo ou, caso contrário, estão apostando em uma venda.
Assim, com base nesses fatores, se faz uma boa análise. Segura e com menor chance de erro. Todas os momentos em que me desviei desse foco, errei em minha análise, ou a tomei com menos segurança.
Com base nisso, analiso a empresa MMXM3.
O número de pedidos de aluguéis pouco oscilou nos últimos pregões. Não mostrando, portanto, uma tendência forte de compra nem de venda para o ativo. Seus lucros, apesar do ótimo resultado na operação da receita do último trimestre, continua negativo. Seus fundamentos são fracos. A notícia de aumento na taxa de juros chinesa, afeta o setor de mineração, dado que se espera uma menor demanda mundial por minérios de ferro (ainda que o impacto possa ainda não ser de tão grande proporções). Muitas instituições financeiras indicam a MMXM3 com boa perspectiva de crescimento para seu preço de cotação.
O que vejo no mercado, hoje, são algumas empresas do setor de construção civil e do setor bancário (principalmente essas, mas existem outras em outros setores da economia) que estão muito baratas em termos de P/L e P/VPA (principalmente P/L). Ainda mais se levarmos em conta as expectativas de lucros para os próximos trimestres, mormente os lucros a serem divulgados em breve para o 3º trimestre de 2010. Em vista disso, vou me isentar de dar opinião a respeito da MMXM3, uma vez que eu não entraria nesse ativo. E isso não é porque o ativo não possa se valorizar nos próximos pregões. Mas simplesmente porque não vejo nele base sólida que me convença a comprá-lo segundo os fundamentos que ele possui. Vejo que existem ativos com melhores fundamentos e com melhores perspectivas, além de baratos. Mas comprar ou não é uma decisão particular de cada um. A análise feita acima, sobre os motivos que devem basear uma boa análise, são os que sigo quando recomendo um ativo e/ou abro posição no mesmo. Dessa forma, uma vez que não vejo base para uma recomendação, segundo os pressupostos que uso em minha análise, não tenho como recomendar esse ativo. O que não significa que o mesmo não possa obter excelentes valorizações nos próximos pregões. Apenas que não estaria seguro de tal fato, baseado nos pressupostos que uso em minha análise.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
A Importância da Dívida Pública sobre a Dinâmica do Mercado Acionário
Muitos do que investem no mercado acionário por meio de um home broker não dão importância à dinâmica do gerenciamento da dívida pública federal. No entanto, a forma como a dívida pública é gerenciada é de vital importância para o bom desempenho do mercado acionário. A justificativa para isso se baseia em alguns argumentos. O primeiro deles é que o aumento do endividamento público, por meio do aumento do déficit público, por exemplo, retira do mercado acionário recursos que passam a ser investidos na compra de títulos públicos. Outro motivo, é que se o endividamento público é elevado, é natural que em algum momento o mercado passe a exigir maiores taxas de retorno para comprarem esses títulos, uma vez que com um endividamento público crescente fica mais e mais arriscado comprar esses títulos. Logo, com taxas de juros mais atraentes para os títulos públicos, e dado que esses são menos arriscados do que os investimentos no mercado acionário, menos recursos são transitados na bolsa de valores. Portanto, menor o dinamismo da mesma.
Dessa forma, passa-se a estudar o processo que gera o aumento ou a redução da dívida pública e as repercussões sobre a dinâmica das empresas e a repercussão sobre o preço das ações. Para entender como a dívida pública varia ao longo do tempo é necessário começar primeiro estudando alguns componentes do orçamento público, como o superávit primário. Mas o que é o tal superávit primário? Bom, o superávit primário é a diferença entre o que o governo arrecadou de recursos da mais diferentes formas (recebimento de aluguéis de imóveis, receitas de impostos, receitas de contribuições e assim por diante) e os gastos que o governo teve nesse período. Assim, se a receita em dado período for maior do que a despesa, existe um superávit; se a despesa for maior do que a receita, tem-se um déficit. O termo primário advém do fato de que é o primeiro resultado do orçamento. Em outras palavras, não leva em conta o pagamento dos juros da dívida passada. Dessa forma, ainda que se tenha um superávit primário de 4% PIB (Produto Interno Bruto), por exemplo, se a despesa com os juros da dívida passada for de 7% do PIB, o saldo final do orçamento público nesse período será de déficit de 3% do PIB.
O governo, para financiar esse déficit, terá duas opções: ou emitirá moeda para pagar as contas que ainda não foram pagas ou emitirá títulos públicos. Se emitir moeda para pagar as contas que ainda não foram pagas, o que acontecerá é que haverá um aumento na quantidade de moeda em circulação sem que está esteja baseada no crescimento da produção, mais simplesmente porque o governo gastou mais do que arrecadou. E gastou mais do que arrecadou porque o saldo das receitas e das despesas nesse período não foi suficiente para pagar os juros da dívida contraída no passado. Assim, com mais moeda em circulação do que a produção dá conta o que ocorrerá é um aumento no nível de preço. Esse aumento do nível de preços se não for controlado poderá ser o estopim para um aumento da inflação.
Dessa forma, se o país está compromissado com o controle da inflação, a melhor solução que o governo tem é lançar títulos públicos no mercado. Mais como se faz isso? Quando o governo lança títulos públicos ele está trocando a promessa de pagar de tempos em tempos um percentual sobre esses títulos (por exemplo, 5% sobre o valor de face do título pagos semestralmente, durante 3 anos) e o devolver o valor pego em empréstimo ao final do período de duração desse título. Assim, ele obtém dinheiro para pagar as contas que ficaram pendentes.
Mas quem me garante que esse processo de lançamento de títulos públicos no mercado não é também inflacionário? Bom, a impressão de moeda para pagar as contas de juros da dívida passada que não foram pagas porque o superávit primário não foi suficiente era inflacionário porque não estava balizada em aumento da produção e ao mesmo tempo esse dinheiro a mais iria expandir a quantidade de dinheiro na economia. Com o lançamento de títulos públicos esse processo inflacionário não acontece porque o governo paga as contas que ficaram pendentes pegando um empréstimo no mercado. E ele pega esse empréstimo por meio do lançamento dos títulos. Ou seja, ele lança o título público com a promessa de pagar juros e devolver o dinheiro ao final do período. Esse dinheiro sai das contas das pessoas que compraram o título e vai para o governo e o governo, com esses recursos, paga a conta de quem ele está devendo. Assim o que ocorre é uma realocação dos recursos. O governo paga as contas que ficou devendo com o dinheiro obtido das pessoas que compraram os títulos públicos. Assim, não há aumento nem redução na quantidade de moeda em circulação na economia.
Dessa forma, chama-se déficit nominal ou superávit nominal o resultado do superávit primário com o pagamento de juros da dívida passada. Se o superávit primário for maior do que o pagamento de juros da dívida passada diz-se que tem-se superávit nominal; por outro lado, se o superávit primário for menor do que o pagamento dos juros da dívida passada, diz-se que tem-se um déficit nominal (o que via de regra ocorre na economia brasileira).
Supondo uma emissão de títulos públicos para financiar um déficit nominal, isso reduzirá a quantidade de dinheiro disponível para se aplicar em ações. Uma vez que esses recursos serão destinados a financiar o déficit do governo. Esse é um dos motivos para que quando o governo eleva reduz o superávit primário os analistas veem de forma negativa tal redução. Ou seja, com a redução do superávit primário mais títulos serão emitidos para financiar o déficit nominal daquele período. Portanto, reduzindo recursos que estavam ociosos (dinheiro poupado pelas pessoas) que poderiam ser direcionados para o mercado acionário.
O outro motivo é que quanto maior a dívida pública, a qual está sendo aumentada pela colocação de títulos públicos no mercado, fruto dos déficits nominais ano após ano, mais arriscado é para o mercado de títulos públicos. Imagine que você vá a um banco e peça um empréstimo para financiar seus gastos que foram maiores do que suas receitas. Imagine que daqui há 3 meses você volte ao banco, mais uma vez para pedir um empréstimos para financiar seus gastos que estão sendo superiores às suas receitas. É óbvio que essa situação não poderá se perpetuar por muito tempo. Isso porque chegará a hora em que o gerente do banco não lhe concederá crédito algum, uma vez que irá temer que você não o pague.
Ao contrário de você, o governo terá muito mais crédito com o sistema financeiro. Dessa forma, poderá perpetuar por muitos anos uma situação em que seus gastos são superiores à sua receita. Na verdade, o que importa para o mercado é a relação da dívida pública total dividida pelo PIB, ou seja
dívida pública/PIB. Se a dívida pública, que vai variando ao longo do tempo devido aos saldos nominais (déficits nominais ou superávits nominais), crescer mais do que cresce o PIB da economia, isso causará medo no mercado de renda fixa (onde os títulos públicos são negociados). (O crescimento do PIB é importante porque a receita do governo, por meio dos impostos, aumenta com o aumento do produto da economia.) A situação pode ser tal, que o mercado entenda que o governo não terá como pagar o que deve sem se ver obrigado a emitir moeda, e, com isso, gerar inflação.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Uma Crítica Construtiva à Técnica de "Valuation"
A melhor forma de se investir no mercado acionário é por meio da técnica de "Valuation". Para os que estudaram Administração, Economia ou, ainda, Engenharia de Produção trata-se do VPL (o valor presente líquido): você desconta os fluxos de caixa futuro para o presente (que no caso é daqui a 1 ano...por isso o preço-alvo de um ativo é dado sempre para um ano; assim é porque no caso do mercado acionário não existe investimento inicial, daí que você não traz para a data zero, você deixa na data do primeiro período mesmo). A taxa que se usa para se descontar esse fluxo de caixa é extraída do CAPM (o "Capital Asset Pricing Model"), por meio do beta (a tão famigerada Econometria, dos Estatísticos e Economistas).
No entanto, há um problema sério com esse modelo (o modelo CAPM). Não sei se você já se deu ao trabalho de rodar um CAPM, trata-se de uma regressão simples e como tal na prática tem sérios problemas de autocorrelação e heteroscedasticidade. Em outras palavras, os resultados para o beta são inconsistentes, não se pode testá-los por meio dos Testes de Hipóteses, pois estes são falhos.O que para quem estudou algum curso que seja de Estatística, sabe que é algo muito sério não passar nos Testes de Hipóteses.
Mas então como as instituições financeiras fazem o preço-alvo? Bom, o que elas fazem é transformar o modelo de regressão simples em um modelo de regressão múltipla. Como? Quando se roda o CAPM se supõe que a única coisa que afeta o preço de um ativo seja a volatilidade de um mega índice como o Ibovespa ou o IBX 100 (é verdade que algumas instituições usam o beta extraído como regressão simples, porém seus resultados não servem para nada). No entanto, outras variáveis também afetam uma determinada empresa e, por conseguinte, também têm efeitos sobre o preço estimado para o ativo daqui a um ano. Digamos que a empresa que estamos analisando tenha uma parte significativa de suas receitas provindas do mercado externo, ou seja, de suas exportações. É natural que uma alteração na taxa de câmbio afete os resultados futuros dessa empresa. Portanto, a taxa de câmbio deve entrar no CAPM. Da mesma forma, uma empresa que dependa muito do petróleo, como é o caso do setor de aviação que tem parte significativa de seus custos atrelados ao óleo diesel, também terá que por em seu CAPM uma variável para o barril de petróleo.
Acho que já deu para você ter idéia do quão complicado é para uma pessoa de fora do mercado financeiro, ou seja, que não possua todos os recursos que as instituições financeiras que atuam no mercado financeiro tem: como série dos preços do barril de petróleo ao longo do tempo, série do risco país, série da quantidade de consumidores que ganhem mais do que X (no caso de um bem de luxo é importantíssimo), série da taxa de juros LIBOR, e por aí vai...
Ainda que se tenha isso e se possa calcular, não será factível fazer para inúmeros ativos. O que se faz é montar o modelo do CAPM com as expansões que lhe falei, lembrando que cada empresa é um caso, e descontar o fluxo de caixa, o qual também possui toda uma técnica própria. A outra coisa que se faz, essa menos eficiente, é se rodar o modelo CAPM tradicional, da série das cotações de fechamento de um ativo pela série de fechamento do IBOVESPA para o mesmo período. Ainda que o coeficiente angular (beta) não passe nos Testes de Hipóteses, usa-se ele ainda assim. O que torna a análise posterior sem significado algum (acredite, isso é muito feito pelas instituições financeiras).
A técnica de "Valuation" é a melhor de todas, até porque lhe permite criar cenários: pessimista, moderado e otimista, por exemplo. De forma que você tem um intervalo em que se estima que o ativo se colocará ao fim de um ano. (Detalhe, o preço-alvo que se vê quando uma corretora indica é, em geral, o cenário moderado, o qual fica no meio dos extremos.)
O problema do "Valuation" é que dá trabalho demais e ano após ano você tem que re-estudar a empresa para alterar o modelo de equação que você montou. Por exemplo, digamos que a empresa "A" tenha uma grande dívida em dólar, de forma que tanto a taxa de câmbio quanto a "prime rate" são importantes no modelo para se calcular a taxa de desconto para o fluxo de caixa. No entanto, com o passar do tempo isso pode se alterar, uma vez que a empresa pode reduzir drasticamente sua dívida externa. Então terá que se fazer um novo estudo, alterando as variáveis envolvidas. Por isso não me esforço tanto para fazer o "Valluation", mesmo sabendo que a margem de erro seria e muito reduzida, uma vez que não sofreria das oscilações do mercado.
GOAU4
No entanto, a queda na cotação da GOAU4 é muito forte. A justificativa para isso se concentra em alguns indicadores, os quais eu começo a analisar aqui. Seu estocástico está em zero e seu IFR é de 45. Seu Histograma de MACD se recupera, aos poucos, há 4 pregões consecutivos, mesmo quando sofrera correções por parte dos investidores, o que demonstra uma mudança de tendência. De outra parte, o seu P/L hoje é 10,61, quando o P/L do setor gira em torno de 13, no momento (o setor tipicamente tem P/L de 15, mas devido às últimas correções, houve uma queda forte no P/L do setor). Seu P/VPA é de 1,21, também baixo.
Ainda que com as más notícias, a perspectiva é boa na empresa. O lucro líquido anual, para cálculo do Lucro por Ação, deverá permanecer estável. Ou seja, o valor que irá sair (o do 3º trimestre de 2009) deverá ser substituído por um valor próximo (o lucro líquido do 3º trimestre de 2010). Daí que o P/L continuará baixo, próximo a 10,61. Além disso, a queda drástica no número de aluguéis em aberto corrobora a visão de que o mercado acredita, como um todo, que a cotação do ativo chegou a seu suporte. Ao mesmo tempo, os que mantinham o potencial de queda, estão perdendo munição, na medida em que se encerram as vendas a descobertas.
Aposto em uma operação entre 2 a 5% para os próximos dias, em uma aplicação típica de um "swing trade".
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
CCIM3 (2ªParte)
| Bom, a essa altura do campeonato, aqueles que investiram na CCIM3 provavelmente se perguntam se devem ou não continuar no ativo. Vou fazer algumas explanações com o intuito de ajudar a todos. O número de aluguéis de ações da CCIM3 continua a cair, era de 81.300 na sexta passada (referente ao dia anterior) estando em 77.400 na segunda (referente a sexta passada). A queda significa que mais e mais pessoas estão apostando na subida do ativo. Por outro lado, seu P/L já se elevou para cerca de 6,30 (cotação do ativo próxima a 7,57), seu P/L anterior era de 5,69. seu P/VPA era de 0,97 está próximo a 1,12 agora. Isso significa que o potencial de ganho está, aos poucos se estreitando. No entanto, ainda creio que a muitas margens de ganhos, dada a expectativa que se tem para o lucro futuro. Todavia, o potencial de crescimento vai ficando mais pautado pela dinâmica do mercado. Ou seja, se o noticiário for positivo, o ativo tem bom potencial, se não o for, o ativo perde potencial. De sexta passada até hoje, o ativo se valorizou em 15%. Assim, não demora muito o tempo em que o ativo vai ser realizado para a incorporação dos ganhos obtidos. Daí que projeto análises distintas de acordo com o objetivo de cada um. Aqueles que aplicam para o longo prazo (Buy and Hold) tem no ativo um ótimo potencial. Os que almejam ganhos de 4%, ou mesmo um day-trade, também têm bom potencial no ativo, ainda. No entanto, apesar de acreditar que até dia 31 de outubro, o ativo tenha espaço para subir, pelo menos mais 10%, é bom, ainda assim, acompanhar as notícias do setor e da Camargo Correia especificamente. É isso. Abração, pessoal! | |
Política Fiscal e a Cotação das Ações no Mercado
A área fiscal do governo está relacionada ao Orçamento Público. No Orçamento Público constam as despesas e as receitas do governo. A arrecadação de receita se dá majoritariamente por meio dos tributos (cobrança de taxas e impostos, principalmente). No entanto, existem diferentes formas de se obter uma dada arrecadação. Por exemplo, pode-se aumentar a alíquota do IOF (imposto que incide sobre as aplicações financeiras, de uma maneira geral) e reduzir a alíquota do imposto de exportação. Nesse caso, as empresas que exportam produtos para o exterior teriam um custo de produção menor, assim sendo, poderiam reduzir seus custos, o que reflete um fluxo de lucros maior no futuro. Isso repercutirá no preço de suas ações cotadas no mercado. Do mesmo modo, o aumento na alíquota do IPI tornará mais custosa a obtenção de crédito na economia. Assim, todas as empresas que forem captar empréstimos no mercado, terão os custos desses empréstimos elevados, o que impactará seu indicador de dívida bruta/ Patrimônio Líquido (um indicador importante para se analisar a dinâmica da gestão de uma empresa).
Assim como o lado da receita, ou a forma como se obtém a receita, por parte do governos, é importante; do mesmo modo, a forma como será processado o gasto governamental também traz repercussões sobre a dinâmica dos lucros de uma empresa. O governo tem uma restrição orçamentária, como todo cidadão costuma ter; ou seja, não pode adquirir tudo que deseja. Se o governo possui, por exemplo, uma quantia de 1 bilhão de reais para despender em obras públicas para melhorar a infraestrutura de uma localidade, isso pode beneficiar uma empresa em detrimento de outra. Assim, se ele resolve despender esses recursos no recapiamento das estradas, as empresas que transportam seu produto por aquelas estradas serão beneficiadas. Menos produtos se deteriorarão, fruto de acidentes, ou mesmo redução de defeitos, frutos de quebras pela trepidação dos caminhões em estradas esburacadas. Essa carga perdida é receita que deixa de entrar. Com menos produtos deteriorados, aumentará o fluxo de lucros futuros dessas empresas, o que se refletirá no preço de cotação das ações dessas empresas.
Do contrário, se o governo aplicar os recursos, por exemplo, no porto existente naquela região, as empresas que se beneficiarão dessa política econômica serão outras. Nesse caso, serão aquelas que exportam seus produtos por meio daquele porto. Isso porque melhorarão as conservações dos armazéns onde ficam estocados os produtos até seu embarque. Outrossim, com uma estrutura melhor no porto, o processo de embarque e desembarque se tornará mais eficiente, portanto, com um menor custo. O que reduzirá o tempo de espera para a exportação do produto. Outro tipo de empresa que terá benefício é a que vende produtos vindos do exterior ou que usem insumos provindos do exterior.
Uma coisa que vale realçar, é que ainda que tenha efeito sobre as empresas, cada caso é um caso. Exemplo, pode ser que o fato de as estradas estarem em melhor conservação, fruto de uma obra pública que melhorou suas condições, repercuta de forma diferente para diferentes empresas. Assim, uma empresa que tenha sua 60% de sua produção escoada por essas estradas que sofreram melhorias terá um impacto sobre o seu fluxo de lucros futuros maior do que uma outra que escoe apenas 10% de sua produção.
Saber todos esses detalhes não é nem um pouco fácil. Nem sempre os analistas têm uma noção de todos esses detalhes. Afinal, para ser franco, é difícil gravar tantos detalhes. O que não quer dizer que o analista não deva ter uma noção razoável do impacto das políticas econômicas sobre a empresa. Uma forma que se tem para melhor conhecer a empresa e, portanto, a repercussão de uma dada política econômica sobre a empresa é acompanhar setores específicos da economia. Logo, ao invés de acompanhar ações de empresas aleatórias, a pessoa acompanha ações de empresas pertencentes a certos setores da economia, como, por exemplo, o setor siderúrgico, bancário e de construção civil.
Uma pequena obra não terá uma repercussão tão grande sobre as empresas. No entanto, uma obra de grande impacto, como a melhoria nas estradas ou um investimento substancial em um dado porto, naturalmente, terá repercussão sobre determinadas empresas.
Um outro impacto da política fiscal sobre o fluxo de lucros da empresa se dá por meio do imposto de renda ou de imposto que atuam sobre o patrimônio das pessoas, como o IPVA, o IPTU, entre outros. Esses impostos reduzem a renda disponível das pessoas, ou seja a renda que sobra após o pagamento dos impostos. Se o governo eleva esses impostos, a conseqüência é que a renda disponível diminuirá, portanto, reduzirá, por conseguinte, o consumo como um todo. O que por certo reduzirá o dinamismo das empresas, uma vez que as pessoas terão uma renda disponível.
Isso terá tanto mais impacto sobre o fluxo de lucros futuros das empresas quanto mais desigual à distribuição de renda da economia. Se a empresa A vende seu produto para um grupo de mais alta renda, por exemplo, ela venda carros, a diminuição da renda disponível, uma vez sendo a distribuição de renda desigual, reduzirá ainda mais a parcela das pessoas dispostas a comprar carro. Isso porque muitos que antes compravam com dificuldade o carro, não irão comprar mais, porque a parcela do carro continua a mesma, só que a sua renda disponível após o pagamento dos impostos diminuiu. Ele, agora, tem um orçamento mais apertado. Ou mesmo, terá que comprar, agora, com a redução de sua renda disponível, um carro mais barato do que ele desejava antes. A conseqüência disso tudo, é que será reduzida a receita da empresa A. O mercado, analisando esse fato, reduzirá a cotação da ação dessa empresa.
É por motivos como esse que o aumento da carga tributária é tão criticado. Com o aumento da carga tributária, a renda disponível das pessoas diminui. Portanto, elas podem comprar menos do que gostariam de comprar, e isso impactará sobre as vendas das empresas. Em outras palavras, em uma economia cuja carga tributária não seja tão elevada, as perspectivas de crescimento das empresas é maior ainda, o que se reflete em um aumento no preço das ações dessas empresas.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
A Política Econômica e a Cotação de Ações
Digamos, por exemplo, que o governo eleve a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para um dado produto. Se a empresa que você investiu, comprando ações, for a vendedora de tal produto, ainda que as perspectivas sobre o desempenho da ação sejam animadoras, pode ser que isso não adiante muito. Isso, porque os analistas vão calcular que uma vez o IPI aumentando, será elevado o custo de produção. Esse custo mais elevado será repassado para o produto. Consequentemente, uma vez o preço sendo mais alto, parte das pessoas que antes compravam o produto deixarão de comprá-lo. Ou ainda, comprarão em menor quantidade, porque estão limitadas pelo seu orçamento e, dependendo do aumento no preço, ficará difícil comprar o produto ou, ainda, comprar a mesma quantidade que se comprava, do produto, antes do aumento no IPI. Esse é um dos motivos para que muitas vezes uma ação oscile de um dia para o outro sem, aparentemente, se ter uma explicação clara de tal fato.
A política econômica pode facilitar a dinâmica de um setor da economia e dificultar outro setor. Mais ainda, continuando com o exemplo do aumento do IPI para um dado produto: se o aumento do IPI se der em um único produto, tal como antes, esse impacto para os produtores desse produto será sentido de forma desigual.
Uma empresa mais bem estruturada, com eficiência no processo de produção pode estar em uma situação tal que a permita repassar pouco o aumento do IPI para o seu preço de venda. Já outras empresas que produzam o mesmo produto podem estar em uma situação tal que não tenham escolha, a não ser repassar o aumento do IPI para o preço final de venda. Dessa forma, a empresa mais eficiente, por não ter repassado todo o custo do aumento do IPI para o preço final de venda, acaba tendo uma maior competitividade dentro do setor. Como seu preço aumentou menos, ela vai, por certo, aumentar sua parcela do mercado. Portanto, tomará parcela do mercado das outras empresas que vendem o mesmo produto. Assim, essa empresa mais eficiente vai ter seu market-share elevado. (Market-share é a parcela do mercado que uma empresa possua. Logo, se ela tem um market-share de 88%, isso significa que ela é a responsável por 88% das vendas de um setor da economia; ou seja, do produto que ela vende, ela sozinha dá conta de 88% de toda procura por tal produto.) com uma parcela do mercado maior, ela terá um maior poder dentro daquele setor em que atua, o que denota a possibilidade de que ela venha, mais tarde, a adquirir outras empresas menores do setor.
Além disso, o fato de ter repassado o aumento no IPI em uma porcentagem menor do que as outras empresas do seu setor repassaram para o preço final do produto, pode fazer com que a sua receita aumente mais do que o aumento nos custos, fruto do aumento no IPI. Se isso ocorrer, ela terá um lucro maior do que os analistas projetavam. Com um lucro maior, é natural que a cotação dessa ação se eleve.
Portanto, o aumento do IPI que seria visto, inicialmente, como algo prejudicial, acabou sendo vantajoso para a empresa que era mais eficiente. Por isso, nem sempre, uma política econômica que pareça ruim, é, de fato, ruim. Muitas vezes, o cidadão comum que opera no mercado por conta própria, sente-se feito de bobo, por não entender como algo que lhe parece óbvio, acaba sendo interpretado de forma diferente pelos analistas. Viu-se que os analistas, no exemplo supracitado, viram motivos mais complexos que levem a essas atitudes, aparentemente, contraditórias.
Entender a política econômica e o impacto dela sobre as empresas é importante para se entender a dinâmica das ações. O grande problema do analista técnico é que ele baseia sua análise nos movimentos dos ativos no passado. É uma informação útil e ajuda muito na análise, eu mesmo faço uso da análise técnica em aplicações mais curtas, como um swing trade. No entanto, a dinâmica dos noticiários é muito relevante, uma vez que impacta as projeções que os analistas fazem sobre o lucro futuro das empresas.
Olhar o que passou é útil, mas quando se compra um ativo, o analista deve se basear no que se projeta para o futuro. Isso não diminui a importância da análise técnica na avaliação de compra ou de venda de uma ação. Mas não se pode acreditar que ela vá resolver todos os seus problemas. Ela é um instrumento útil, como a análise fundamentalista também o é. Do mesmo modo, a boa interpretação analítica dos noticiários, principalmente a interpretação do impacto das políticas econômicas sobre o lucro das empresas, também é outro ferramental importante. Não se deve abrir mão de nada em uma análise, cada qual tem seu papel.
CCIM3 (Camargo Correia) - Setor Imobiliário
Bom, se levarmos em conta que o P/L da companhia é de 5,69 e que o resultado do 3° trimestre de 2009, o qual será excluído no cálculo do P/L ao ser divulgado o resultado do 3° trimestre de 2010, foi negativo em mais de 66 milhões, reforça-se a ideia, com a notícia divulgada de que o lucro por ação irá aumentar. Como o P/L já está baixo, o aumento no lucro por ação irá reduzir ainda mais o P/L do ativo. Aumentando a atratividade da ação.
Outrossim, o P/VPA da ação é inferior a 1, cotado em 0,97. Dentro do setor de construção civil, está entre os mais baixos, juntos com a INPR3 e a CRDE3, ambas de baixa liquidez. Sua margem líquida é das mais elevadas no setor, em 17,36% e seu retorno sobre o patrimônio também dos mais elevados, em 17,08%.
Desde 23 de setembro tem-se registrado uma forte queda no número de aluguéis de ações. Este era de 107.800 em 23/set e fechou ontem em 81.600 pedidos. O que demonstra que o mercado vem apostando em uma subida do ativo, reduzindo as perspectivas de manter uma posição vendida.
É um ativo para se acompanhar com carinho, tanto para uma operação curta, quanto para uma operação mais alongada. Isso porque seus fundamentos são consistentes. Não obstante, vale um olhar acurado sobre o fato de que houve queda no seu banco de terrenos, entre o 3º trimestre desse ano e o do ano passado, em 1,1%. Isso pode forçar a empresa a elevar seus custos futuros, na medida em que precisa recompor seu estoque de terrenos para novos empreendimentos.
Estratégias
Há aqueles que operam no médio prazo, em operação que duram de 3 a 6 meses, em média. Esses operam com base na gestão empresarial da ação. Ou seja, levando em conta como vem sendo o gerenciamento administrativo da empresa e, do mesmo modo, como as políticas econômicas vem atuado sobre o setor no qual se aplica seus recursos.
Outros, ainda, atuam com o objetivo "Buy and Hold", buscando ativos com excelentes perspectivas para o longo prazo. mas um ponto de alerta deve ser aclarado: é comum escutarmos nas conversas do cotidiano a ideia de que o investimento deve ser para o longo prazo. Mas o que é o longo prazo, afinal? Dez anos? Trinta anos? Se pegarmos o histórico de 50 anos, por exemplo, para qualquer bolsa de valores, veremos que a mesma sofreu oscilações ao longo do tempo: períodos de queda suaves e períodos de subidas suaves são os mais presentes, mas também visualizaremos períodos de aguda queda ou, mesmo, agudo crescimento. Tudo vai depender do humor do mercado, o qual vai estar calcado na interpretação do desenvolvimento e perspectivas futuras sobre a economia onde as empresas, cujas ações são cotadas naquela bolsa de valores específica são cotadas. Desta forma, mesmo um "Buy and Hold" deve sempre acompanhar seus empreendimentos. Uma vez visualizando uma oportunidade melhor, cuja cotação tenha melhor perspectiva de alavancagem, deve vender a ação possuída e ir para a com melhor perspectivas.
Em outros posts será comentado sobre como saber se um empreendimento é o melhor a ser feito.
EZTC3
As previsões para EZTC3 são críveis; não obstante, dado o horizonte mais amplo (1 ano) frente a instabilidade do cenário econômico internacional atual, vale umas palavras de cautela. Ou seja, ainda que a EZTC3 tenha excelentes perspectivas, nada impede que surja no cenário internacional uma aversão ao risco, como por meio de uma moratória de dívida pública ou a grande possibilidade desta por meio de um país. Tal ocorrendo, afetaria o preço dos ativos como um todo. Portanto, reduzindo qualquer possibilidade de ganho. Por isso, aquele que investir, em qualquer ativo que seja, visando um período de retorno para 1 ano, 6 meses ou coisa assim, deve acompanhar muito bem a dinâmica das notícias e ficar atento a alteração do cenário de análise. Uma contração econômica impacta o fluxo de caixa negativamente para qualquer empresa, ainda que esta esteja bem estruturada e com boas perspectivas de crescimento dentro de seu setor.