Blog destinado a troca de informações sobre aspectos ligados à análise econômica e financeira, análise de ativos e análise da conjuntura econômica.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O Que é a Nossa Sociedade de Consumo?
Bom, vocês devem notar que a vida útil dos bens duráveis hoje é menor do que já foi um dia. Assim, uma máquina de lavar de 1970 durava mais do que dura hoje uma máquina de lavar vendida nos tempos atuais. Da mesma forma, a vida útil de um carro ano 1960 era superior do que a vida útil de um carro ano 1988, por exemplo. Até o estado de conservação é outro, dado que se necessita fazer menos manutenção.
O que ocorre é que a fabricação dos produtos atuais é feita para durar menos, como forma de forçar a necessidade de que as pessoas sempre precisem adquirir tal produto. Como se sabe, de tempos em tempos, devido a deterioração dos bens duráveis, como máquina de lavar, geladeira, fogão, TV, carro, entre outros, é necessário comprar novos para repor aqueles que já estão com a qualidade comprometida devido ao desgaste. Assim, reduzindo o tempo de vida útil, forçasse a busca por novos produtos. Como consequência, dinamizasse a produção e mantém as empresas constantemente operando. Por isso o tempo de vida útil desses equipamentos domiciliares fora reduzido: é uma forma de manter a demanda pelo produto em patamar que mantenha uma produção elevada.
A outra característica presente na nossa sociedade atual, dita de consumo, advém das aceleradas alterações tecnológicas. As pessoas só consomem um bem por dois motivos: ou porque querem adquirir algo novo ou porque precisam repor o que fora desgastado devido ao uso ao longo do tempo. Reduzir o tempo de vida útil de um produto faz com que haja uma demanda constante pelo produto. No entanto, a cada ano, uma pequena parcela de toda a demanda é reposta. Dessa forma, é através da novidade, do novo, que as empresas conseguem levantar grandes ganhos, por isso a corrida tecnológica em determinados setores.
Assim, essas são as duas bases em que se mantém a sociedade de consumo: redução do tempo de vida útil dos bens duráveis e veloz avanço tecnológico. Mas o veloz avanço da alteração tecnológica merece um olhar mais acurado de nossa parte. Esse se realiza na mente dos indíviduos por dois caminhos. Primeiro, a propaganda incute no indivíduo a necessidade de ter o produto, que muitas das vezes é supérfluo em sua vida. Mas, devido à propaganda e, ao consequente efeito que a propaganda o faz, o indivíduo crê que precisa do produto. O segundo caminho é um aspecto meramente da nossa coletividade. Se você possui um celular que serve para ligar e passar mensagens, você é visto como um "pobre" por não ter um "BlackBerry" ou um "IPhone", por exemplo. Da mesma forma, que se você comprar uma camisa do seu time de futebol e, dois meses depois, seu time trocar o uniforme, você mesmo vai começar a achar que sua camisa é velha. Ou então, quando você for a um estádio, vai ter a impressão que todos estão achando que sua camisa é velha e ultrapassada. Isso porque você tenha comprado a camisa há dois meses.
As empresas, muitas vezes, colocam produtos novos no mercado, que não trazem em si grandes alterações tecnológicas, apenas deixam a sensação de que algo é novo e o que você possui é velho. O que cria nas pessoas, pelo menos grande parcela delas, a sensação de que precisam ir às compras de novo. Para tanto, é necessário uma sociedade que se sinta carente, frágil e que, tal qual uma criança mimada, precise a todo instante, ver seus desejos supridos. Uma sociedade assim, pensa pouco e reage com alguma violência ao ser contrariada.
Se questiona muito sobre a perda de valores dos jovens. No entanto, eles são frutos do sistema atual que se renova em grande velocidade, precisando de uma massa de consumidores que não reflita sobre as bases de nossa sociedade. Muitas das características que vislumbramos hodiernamente em nossa sociedade advém desse sitema.
Quebrar o sistema, alterá-lo para tornar cidadãos mais conscientes, mais pensadores e menos manipulados por seus impulsos, falsamente criados? Acho difícil e pouco crível. A manutenção dos empregos da forma que se dá hoje, se baseia muito nesse sistema. Se o tempo de vida útil fosse maior e/ou as mudanças tecnológicas (ou, em muitos casos, mera mudança de "embalagem", no caso de alguns produtos) o que ocorreria é que seria necessário produzir menos para repor o que foi desgastado. Além disso, as pessoas só comprariam quando fosse realmente necessário. Com isso, ao produzir menos, e tendo um consumidor consciente, pouco manipulável, as empresas produziriam menos e, portanto, precisariam de menos trabalhadores. Aumentando assim a massa dos desempregados, o que teria fortes repercussões sociais. Assim, em suma, precisamos de uma sociedade fraca, carente e alienada para manter a economia em crescimento.
Talvez você esteja se perguntando o que esse tema tem a ver com o mundo dos mercados financeiros. Diria que tudo. Entender o mundo em que vivemos, a base em que ele está construído, seus valores e idiossincrasias, ajudam-nos a entender as pespectivas dos diferentes setores da economia e a dinâmica de cada setor, em cada momento. Mercado financeiro não é só formado por relações econômicas, mas também pelo estudo sociológico dos diferentes grupos (principalmente se é possível saber qual o público-alvo de uma dada empresa), do conhecimento da psicologia social, do raciocínio abstrato advindo da filosofia, entre outros conhecimentos.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Privatização: Porque o Processo parou nos Últimos Anos
Nas duas últimas eleições tem sido assim: chega época de eleição e o PT adota o "terrorismo" político de que se o PSDB ganhar as eleições presidenciais irão voltar as privatizações. Do mesmo modo a incapacidade dos candidatos a presidência, pelo PSDB, não deixa claro se vão ou não privatizar.
A função do governo é primordial em determinados setores como a segurança nacional e pública, o poder de polícia ao fiscalizar os diferentes processos de produção, quanto aos aspectos sanitários dos mesmos, peso adequado, entre outros, da mesma forma que também é importante no processo de resolução da liades. Outrossim, existem bens, ditos meritórios, saúde e educação, que por trazerem benefícios a sociedade cabe ao Estado oferecê-los à sociedade.
Mas, e bens industriais, típicos das relações de mercado, como produção e distribuição de energia elétrica, fornecimento de gás, pré-sal e outros mais? Há setores que tendem a uma estrutura de mercado monopolizada: ou porque o mercado é pequeno, ou porque os custos são elevados e impeditivos para outras empresas adentrarem o setor.
No Brasil, o fato de o governo federal e os governos estaduais criaram empresas porque perceberam que os altos custos de certos setores, importantes para o desenvolvimento da indústria nacional, ainda incipiente àquela época, o forçaram a isso. O motivo se baseou no dimensionamento do mercado, dada a restrita demanda, fruto do baixo poder aquisitivo da população à época. Outro motivo era os elevados custos iniciais frente ao seu payback (tempo necessário para recuperar o capital inicial investido, sem levar em conta o custo do dinheiro ao longo do tempo).
Com o tempo, fruto do aperto fiscal pelo qual o país passou nos fins dos anos 1970 e ao longo da década de 1980, foi ficando difícil para os governos federal e estaduais (esses ainda se utilizaram dos recursos de suas instituições bancárias estaduais para continuar investindo em suas empresas estatais estaduais até o advento do Plano Real e o fim das taxas elevadas de inflação no país) investirem em suas, respectivas empresas. Muitas empresas, conseqüentemente, ficaram defasadas em seus equipamentos e tecnologia existente. Portanto, isso acabou se refletindo na produtividade dessas empresas, que passaram a ser ineficientes dado o serviço que prestavam à população.
O processo de privatização veio como uma forma de essas empresas se recapitalizarem e obterem recursos para novos investimentos. Como tal, nos setores de maior importância para a sociedade, o governo saiu da parte executiva, para a regulatória: assim foram criadas as agências reguladoras. Durante o processo de privatização, no Brasil, as receitas oriundas da privatização serviram para abater déficits fiscais em cursos em dado ano.
Ao longo do período de inflação aberta, onde o Brasil possuía taxas de inflação elevadas, as contas fiscais eram ajustadas, ao longo do governo de Fernando Collor e do governo de Itamar Franco, por meio do encurtamento do período de arrecadação dos impostos. Além disso, os ministros da Fazenda aprenderam a não negar nenhuma despesa requerida, apenas iam adiando o gasto da mesma o quanto possível, de forma a que a inflação corroesse as rubricas de despesa e, assim, ajusta-se o orçamento público, de forma a manter as contas entre despesas e receitas equilibradas.
Com o fim da inflação no Brasil, pelo menos o fim de taxas elevadas ao mês (tivemos inflação de 33% no primeiro ano do Real), já não era mais possível usar esse processo para o ajuste das contas públicas. Logo, ainda antes da entrada em vigor do Plano Real o governo tenha elaborado um Fundo Social de Emergência, que nada mais era do que a desvinculação das receitas orçamentárias. Ou seja, foi uma forma encontrada pelo governo de ter flexibilidade no orçamento, dado que após a Constituição de 1988 o governo passou a ter parte significante de suas receitas atreladas a gastos ou transferências específicas. Ainda assim, não foi suficiente para ajustar as contas do governo, que passou a ter um elevado déficit nominal (fiscal).
Assim, as privatizações serviram para suprir parte do déficit fiscal existente no período. Em outras palavras, como eram calculados após o cálculo das necessidades de financiamento do setor público (NFSP), os recursos oriundos da privatização serviam para abater esses gastos. Dessa forma, sem os recursos das privatizações o déficit fiscal seria maior ainda. Logo, maior seria o montante do endividamento público também.
O processo de privatização, que no início servia para trazer novos investimentos para determinadas empresas e, assim, recapitalizar as mesmas e melhorar sua eficiência produtiva, acabou ganhando novo corpo com a necessidade de se gerar saldos para evitar que a dívida pública crescesse desmensuradamente, em um momento em que as contas públicas ainda se ajustavam. Ao longo do tempo, as contas públicas se ajustaram pelo aumento da carga tributária e depois, já no governo Lula, pela retomada do crescimento econômico. Daí que hoje, as receitas oriundas das privatizações já não são vitais para o ajuste das contas públicas nacionais.
Ficam questões a serem resolvidas em outras postagens. Por que se argumenta que as empresas estatais brasileiras foram vendidas abaixo de seu valor de mercado, isso é verdade? Por que eu afirmo que o processo de o governo reestatizar ou mesmo construir empresas estatais é anacrônico? E o que está por trás desse processo de se construir empresas economicamente falando? ( São coisas a se responder em outras postagens, em breve).
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Aluguel de Ações
Quando o número de aluguéis aumenta, significa que as intituições financeiras (que são as que mais operam descoberto, ou seja, as que mais alugam ações para a venderem posteriormente) estão apostando na baixa daquela ação. Ou seja, elas alugam a ação, vendem-na no mercado, esperando o preço cair e a recompram de novo, devolvendo a quem pegaram emprestado. O ganho na operação para aquele que pegou a ação a descoberto, por meio do aluguel de ações, se dá pelo diferencial. Ele vendeu a ação na alta e, como o preço foi baixando ao longo do tempo, ele a recomprou na baixa, no momento em que considerou o preço da ação baixo o suficiente para realizar seu ganho na operação
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Assim, se o número de pedidos de uma determinada ação aumenta em dado momento, significa que as instituições financeiras estão apostando na queda do ativo para os próximos pregões. Se o número de aluguéis diminui, ocorre o oposto, ou seja, o mercado está apostando que o ativo já caiu o necessário e dali em diante a tendência é subir; então as instituições financeiras, que como disse antes, são as que em maior parte vendem a descoberto, por meio do aluguel de ações, começam a recomprar a ação, vendo que não há muito espaço para novas quedas. No entanto, se houver muitas posição de aluguéis de ações em aberto, é possível que o ativo demore a subir, enquanto outros no mercado demorarem a perceber a mudança na tendência, de baixista para altista.
Essa é uma forma de se saber se as principais instituições do mercado estão apostando em uma alta ou em uma baixa, para um dado ativo (ação). Mesmo assim, vale ressaltar: ao se fazer essa análise, sobre os pedidos de aluguéis de ação, que o indivíduo deve levar em conta as notícias do setor, as notícias do cenário econômico nacional e internacional, ter consciência da dinâmica dos múltiplos P/L e P/VPA, analisar também os indicadores técnicos como o IFR, o estocástico, o MACD, em suma, buscar outras informações que deem a ele a segurança de que sua análise está correta e bem centrada.
Em suma, é um conjunto de informações que vão nos dar a segurança de que aquele é mesmo o ativo a se abrir uma posição e se a tendência para o mesmo é de baixa ou de alta. Assim, o número de pedidos de aluguel de ações é apenas mais uma informação, entre tantas, a serem checadas antes de se abrir um posição em uma ação. No Brasil. um bom site para se checar a dinâmica para uma ação ao longo dos últimos pregões é dada em http://www.dadosdabolsa.com/
Abraços a todos e bons negócios, qualquer dúvida é só perguntar!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Explicando o Porquê a GOAU4 Não Cresce
Bom, o número de pedidos de aluguéis da GOAU4 era de cerca de 1 milhão e 400 mil em 13 de setembro, em 21 de outubro estava em cerca de 47 mil. Coincidentemente, o ativo estava cotado a 30,22 em 13 de setembro, fechando ontem a 24,50. Nesses 27 pregões, a ação caiu em 18 dos pregões e ficou em um estável, subindo só em 8 pregões, sendo que em 6 desses o aumento não foi superior a 0,62%. Assim, a forte desova nos pedidos de aluguel da GOAU4 sustentaram a queda do ativo ao longo das últimas semanas.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Elevação da taxa de Juros Básica na China em 0,25%
A questão é que o aumento na taxa de juros básica da economia significa que menos dinheiro estará em circulação, uma vez que o banco central chinês passará a vender títulos públicos, reduzindo assim o preço desses, que passarão a ser vendidos com deságio, e, portanto, elevando a taxa de juros no país. (Como aumentará a quantidade de vendas de títulos públicos, pela lei da oferta e da procura, o preço dos títulos irá cair, portanto, será vendido com deságio.) Quando o banco central vende títulos públicos, ele enxuga a liquidez da economia, uma vez que há menos dinheiro em circulação. Dessa forma, para uma mesma produção, o poder de compra das pessoas, no agregado, diminui. (Com uma menor quantidade de dinheiro em circulação, o custo do uso do dinheiro, que é dado pela taxa de juros, sobe, uma vez que o dinheiro se torna mais raro.) Assim, há um desaquecimento na economia, que desacelerará as taxas de crescimento.
Portanto, a consequência do aumento nas taxas de juros será uma redução do meio circulante na economia. O problema é que como o câmbio é fixo, o banco central chinês se vê obrigado a trocar dólares por yuan sempre que alguém o desejar. E com taxas de juros mais elevadas, torna mais atraente ao investidor externo, com capitais ociosos, investir na China. Agora não mais comprando muitas ações de empresas, mas direcionando um volume maior para a compra de títulos públicos do governo chinês, que estarão sendo vendidos com deságios e, portanto, com taxas de retornos mais elevadas.
FESA4
Além disso, houve uma redução de 23% nos pedidos de aluguel de ações para o ativo entre os pregões que vão de 6 a 19 de outubro. O que diminui a força daqueles que apostam na queda do ativo.
Motivos que Levam a Comprar um Ativo: o caso da MMXM3
O ativo teve um bom crescimento durante 3 pregões antes do de ontem, valorizando cerca de 8%. É um bom crescimento e dói estar fora de um ganho como esse. Nas últimas semanas o Ibovespa subiu de cerca de 64 mil pontos para algo em torno de 72 mil pontos. Naturalmente, muitas açãoes se valorizaram. Em um mercado com tendência de alta, as ações tendem a ter patamares positivos. Por outro lado, um mercado com tendência de baixa puxa todas as ações para o terreno negativo. Como o Ibovespa se esticou muito em pouco tempo, é esperado que os investidores queiram realizar os seus devidos ganhos, para um novo fôlego de crescimento.
Estamos sempre sofrendo com as oscilações de mercado, fruto do noticiário que pipoca dia após dia. Dessa forma, quanto mais curto o prazo que se espera realizar uma operação, tanto mais vítima das notícias estará as ações a serem influenciadas. Portanto, se você pretende investir em uma operação que vá durar pouco tempo, o melhor a se fazer é investir em ativos sólidos. Em outras palavras, investir em ativos com bom potencial de valorização. Para tanto, duas características são importantes: 1) que a empresa cujo ativo você pretenda comprar tenha uma boa gestão financeira e econômica; 2) que o ativo tenha potencial para obter novas valorizações. Para saber se um ativo tem potencial para valorização, duas questões são relevantes: 1º) o ativo estará barato frente a seus indicadores financeiros, como o P/L e o P/VPA? 2º) o ativo teve um grande crescimento nos últimos pregões?
Se o ativo tem um P/L e/ou um P/VPA, comparado a outros ativos do setor em que atua, caro, então, não vale a pena comprá-lo. Isso porque o risco de obter uma valorização nos próximos pregões é menor, uma vez que os investidores tendem a tirar seus recursos de ativos que estejam mais caros (com P/L e/ou P/VPA mais barato dentro de um dado setor da economia) e colocar em ativos que estejam mais baratos, ou, ainda, com potencial de lucros futuros que tornem seu P/L e/ou P/VPA baratos no futuro.
Ainda que um ativo esteja barato, ou tenha potencial de ficar barato, dada a perspectiva de lucros vindouros; vale dizer, ainda que seu P/L atual e/ou seu P/VPA atual esteja barato, ou se projete, dada a expectativa sobre os lucros futuros que fiquem baratos, se esse ativo teve grande alavancagem nos últimos pregões, o espaço para novos crescimentos fica menor. Assim, uma ação que esteja com um P/L muito baixo dentro do setor e que a perspectivas de lucros sejam crescentes para os próximos períodos, mesmo sendo um ótimo negócio, pode sofrer quedas fortes de tempos em tempos. Isso ocorre por dois motivos. Primeiro porque os investidores vão querer realizar seus lucros e vão começar a achar que a qualquer hora os outros investidores sairão do ativo, assim o medo de ser o último a sair faz com que qualquer coisa seja motivo para realizar o ativo e garantir sua realização, até o ativo cair de novo, para uma posterior reentrada.
O outro motivo é que notícias adversas que criem expectativas futuras negativas na economia, como saiu ontem a notícia de que a taxa de juros da China fora elevada (o que cria a expectativa de desaquecimento na economia chinesa e, assim, menos compras de "commodities"; portanto, afetando as expectativas das empresas brasileiras), acabam por criar um cenário baixista que afeta todas as ações, sobrando pouquíssimas que possam resistir.
Em suma, um bom investimento em ações é aquele que está calgado em algumas premissas. Primeiro, a empresa é bem gerida, dado seus indicadores financeiros de liquidez, rentabilidade, margens de lucro, entre outros. Segundo, o ativo está barato, dado seu P/L e seu P/VPA, frente a outros do mesmo setor de atuação. Terceiro, os indicadores técnicos, as notícias sobre a economia, sobre o setor em que a empresa atua e sobre a empresa em particula, somado aos pedidos de aluguel de ações indicam que as pessoas estão apostando ou em uma compra para o ativo ou, caso contrário, estão apostando em uma venda.
Assim, com base nesses fatores, se faz uma boa análise. Segura e com menor chance de erro. Todas os momentos em que me desviei desse foco, errei em minha análise, ou a tomei com menos segurança.
Com base nisso, analiso a empresa MMXM3.
O número de pedidos de aluguéis pouco oscilou nos últimos pregões. Não mostrando, portanto, uma tendência forte de compra nem de venda para o ativo. Seus lucros, apesar do ótimo resultado na operação da receita do último trimestre, continua negativo. Seus fundamentos são fracos. A notícia de aumento na taxa de juros chinesa, afeta o setor de mineração, dado que se espera uma menor demanda mundial por minérios de ferro (ainda que o impacto possa ainda não ser de tão grande proporções). Muitas instituições financeiras indicam a MMXM3 com boa perspectiva de crescimento para seu preço de cotação.
O que vejo no mercado, hoje, são algumas empresas do setor de construção civil e do setor bancário (principalmente essas, mas existem outras em outros setores da economia) que estão muito baratas em termos de P/L e P/VPA (principalmente P/L). Ainda mais se levarmos em conta as expectativas de lucros para os próximos trimestres, mormente os lucros a serem divulgados em breve para o 3º trimestre de 2010. Em vista disso, vou me isentar de dar opinião a respeito da MMXM3, uma vez que eu não entraria nesse ativo. E isso não é porque o ativo não possa se valorizar nos próximos pregões. Mas simplesmente porque não vejo nele base sólida que me convença a comprá-lo segundo os fundamentos que ele possui. Vejo que existem ativos com melhores fundamentos e com melhores perspectivas, além de baratos. Mas comprar ou não é uma decisão particular de cada um. A análise feita acima, sobre os motivos que devem basear uma boa análise, são os que sigo quando recomendo um ativo e/ou abro posição no mesmo. Dessa forma, uma vez que não vejo base para uma recomendação, segundo os pressupostos que uso em minha análise, não tenho como recomendar esse ativo. O que não significa que o mesmo não possa obter excelentes valorizações nos próximos pregões. Apenas que não estaria seguro de tal fato, baseado nos pressupostos que uso em minha análise.