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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Como Calcular o P/L

Existem muitas fórmulas para se calcular o preço ótimo de uma ação. Como já falei em outra postagem, aqui no blog, a forma tradicional para se calcular o preço ótimo de uma ação é por meio da técnica de Valor Presente Líquido, que nada mais é do que a famosa "valuation. Onde se apura o fluxo de caixa futuro e o mesmo é descontado até a data 1. Como o disse naquela ocasião, não se usa a data zero, o que é convencional no estudo de projetos de investimentos que o uso do VPL, isso porque quer se saber o preço ótimo de uma ação para daqui a um ano e não para hoje. Um dos principais motivos para isso se deve ao fato de não haver investimento inicial de grande vulto ao se comprar uma ação, como se faz ao ampliar a produção de uma indústria, por exemplo. Onde é necessário a compra de novas máquinas, gastos em logística para que os custos da distribuição da produção aumentada não venham a reduzir a eficiência da empresa, ou, ainda, construção ou expansão da fábrica instalada.

O que quero agora é dar uma dinâmica melhor ao entendimento do P/L (preço dividido pelo lucro por ação). É comum, em uma conversa com pessoas do mercado financeiro, que as mesmas, ao citarem cotações de ações, referenciem-se em relação ao P/L do ativo. O L representa o lucro por ação. Esse lucro é o lucro líquido anualizado. Assim, como a cada trimestre as empresas com ações cotadas em bolsa são obrigadas a divulgarem seus resultados, o lucro líquido anualizado é a soma dos últimos 4 trimestres. Para saber qual é o lucro por ação, soma-se todas as ações que a referida empresa possua. Isso independe de ser ação ordinária, preferencial, preferencial classe A, preferencial classe B, ou o que for.

Exemplifiquemos melhor, se estivermos estudando o P/L da PETR4 (ação preferencial da Petrobrás), ao calcular o número de ações da Petrobrás usaremos o somatório das ações ordinárias com as preferenciais. Ou seja, independente de ser a ação preferencial ou ordinária, sempre computaremos o número de ações totais da empresa, mesmo que o ativo em questão (no caso do nosso exemplo, a ação preferencial da Petrobrás) só se referir a ação preferencial, ou só se referir a ação ordinária.

Uma vez que tenhamos o lucro líquido obtido nos últimos 4 trimestres e, ao mesmo tempo, tenhamos o número total de ações da, respectiva, empresa, podemos calcular qual é o lucro por ação da empresa. Para tanto, basta dividir o somatório dos últimos 4 lucros líquidos trimestrais pelo número total de ações da empresa. Para obter esses dados, você pode pegar o número de ações no site www.fundamentus.com.br, da mesma forma que o registro dos últimos resultados trimestrais da empresa. Ou ainda, buscar no site www.bovespa.com.br .

Bom, uma vez visto o que representa o L, precisamos agora explicar o significado do P, no cálculo do P/L. O P representa a cotação de momento de uma ação. Assim, se o preço de momento da PETR4 está em 25,60, por exemplo, o P é igual a 25,60.

Vamos aprofundar um pouco mais o nosso entendimento sobre o P/L. Peguemos, como ilustração, uma ação específica, cotada na bolsa nesse momento que escrevo para vocês. Usemos a PETR4, a ação preferencial da Petrobrás.

O número total de ações da Petrobrás é de 13.044.500.000, sendo 7.442.454.142 de ações ordinárias e 5.602.042.788 de ações preferenciais. Para nosso estudo do P/L, o que vai interessar é o número total de ações, ainda que a ação para a qual queiramos estudar o P/L seja uma ação preferencial, também levamos em conta as ações ordinárias no cálculo.

O lucro por ação para ser calculado precisa, além do número de ações, do lucro líquido anualizado. Os resultados da Petrobrás em seu lucro líquido foram, respectivamente:


      

              Tabela 1: Lucro Líquido da Petrobrás por trimestre


30/09/1030/06/1031/03/1031/12/0930/09/09
Lucro Líquido8.566.452.2248.294.989.8247.726.274.0488.128.872.4487.302.567.936
Fonte: Extraído do site Fundamentus (www.fundamentus.com.br).


Dessa forma, antes de sair o resultado do 3º trimestre de 2010, o lucro líquido anualizado da Petrobrás era dado pela soma dos resultados do 3º trimestre de 2009, com o 4º trimestre de 2009, mais o 1º trimestre de 2010 e, mais ainda, o 2º trimestre de 2010. Isso é igual a soma:

  7.302.507.936
  8.128.872.448
  7.726.274.048
+8.294.989.824
 31.452.704.256

Assim, o lucro líquido anualizado da Petrobrás, antes de ser divulgado o resultado do 3º trimestre de 2010, é de R$ 31.452.704.256,00. Para se obter o lucro por ação dividimos o valor de 31.452.704.256, dado pelo lucro líquido anualizado, pelo número total de ações da Petrobrás. Como vimos, o número de ações da Petrobrás é de 13.044.500.000. Portanto, o lucro por ação é igual a 2,41.

Para se calcular o P/L precisamos saber qual o preço de cotação de momento da ação e dividir esse resultado pelo lucro por ação obtido anteriormente, que é de 2,41. Assim, se o preço de cotação de momento é de 25,60, o P/L da PETR4, ou seja, da ação preferencial da Petrobrás, é dado pela divisão de 25,60 por 2,41. Esse resultado é igual a 10,62.

Agora, para aprofundar o cálculo, digamos que o resultado do 3º trimestre de 2010 foi divulgado. Como explicitado na tabela 1 supra, o lucro líquido do 3º trimestre de 2010 foi de R$ 8.566.452.224,00. Dessa forma, o lucro anualizado passa a ser, agora, dado pelo somatório dos lucros do 4º trimestre de 2009, 1º trimestre de 2010, 2º trimestre de 2010 e, por fim, 3º trimestre de 2010. Em suma, ao agregarmos o lucro líquido do 3º trimestre de 2010, o lucro líquido do 3º trimestre de 2009 sai de nosso cálculo. Isso porque um ano tem 4 trimestres, de forma que o último trimestre do período anterior do cálculo do lucro líquido anualizado é retirado ao adentrar, no cálculo, o lucro líquido do 3º trimestre de 2010. Assim, o cálculo, agora, do lucro líquido anualizado é dado por:

  8.128.872.448
  7.726.274.048
  8.294.989.824
+8.566.452.224
32.716.588.544

Assim, com o resultado do lucro líquido do 3º trimestre de 2010 o lucro líquido anualizado da Petrobrás passa a ser de R$ 32.716.588.544,00. Mais uma vez, para se obter o lucro por ação, dividimos o lucro líquido anualizado, de R$ 32.716.588.544,00 pelo número total de ações, que, como vimos, é de 13.044.500.000. Logo, o lucro por ação é de 2,51. Portanto, com o aumento no lucro líquido anualizado a partir da entrada, no nosso cálculo, do lucro líquido do 3º trimestre de 2010 e a, respectiva, retirada de nossos cálculos do lucro líquido do 3º trimestre de 2009, o lucro por ação aumentou. Esse aumento do lucro por ação irá alterar as perspectivas para a ação. Como o lucro por ação, no cálculo do P/L, fica inserido no denominador, o aumento do daquele faz com que o P/L diminua para a mesma cotação do ativo, abrindo espaço, assim, para que o ativo tenha um ganho de capital.

Dessa forma, com um preço de cotação de 25,60, o P/L da PETR4 agora passa a ser de 10,21. Mais uma vez, o que fizemos foi dividir o preço de cotação da ação, dado por 25,60, pelo lucro por ação, que é de 2,51, quando inserimos o lucro líquido do 3º trimestre de 2010 e extraímos o lucro líquido do 3º trimestre de 2009.
Exploremos um pouco mais o efeito desse ganho obtido pela PETR4. O P/L anterior, antes do resultado do 3º trimestre de 2010, era de 10,62. Após o resultado do 3º trimestre de 2010, o P/L foi para 10,21. Ele se reduziu. Dessa forma, para voltar até os 10,62 de antes, a ação possui um espaço de valorização dado pela equação

[(10,62/10,21) – 1]*100

O resultado dessa equação é de 4,02, que na verdade, representa 4,02%. Essa é a expansão que a ação PETR4 terá que fazer para voltar para um P/L de 10,62.(*)

(*) Quero fazer uma ressalva aqui. O cálculo do P/L é muito importante, mas outros indicadores nos indicam a perspectiva para o mesmo. Em outras palavras, temos que comparar o P/L com outras ações da mesma área de atuação da ação que estamos estudando. além disso, quais as perspectivas para o lucro dos próximos trimestres dessa empresa? como vai a gestão da mesma? Eu abordo esses assuntos, aos poucos, em outras postagens.



terça-feira, 16 de novembro de 2010

As Empresas Estatais Foram vendidas Baratas?

Em uma outra postagem aqui no blog eu falei sobre as privatizações. Deixei, àquela feita, a indicação de que iria voltar a abordar o assunto. Volto agora para questionar se as vendas das estatais foram vendidas a preço de banana, como muitas vezes se diz.
 
O preço que se vai pagar por qualquer empreendimento não deve estar baseado no capital social da empresa, ou mesmo no seu patrimônio líquido, como alguns argumentam. Tanto o capital social quanto o patrimônio líquido indicam o que a empresa conquistou, o quanto de capital societário ela possui ou o quanto ela possui de patrimônio próprio, respectivamente. No entanto, para quem compra uma empresa o que importa é o potencial de geração de caixa futuro, que será dado pelo fluxo de caixa advindo dos próximos períodos até a maturação do investimento realizado; onde não mais se pode realizar novos lucros sem que se faça novos investimentos. É a geração do fluxo de caixa que importará, uma vez que é esse que entrará de fato de ganho para quem adquiriu o novo negócio. Os ganhos realizados no passado remuneraram quem administrava a empresa no passado. Para quem a compra hoje, o que importa é o ganho futuro.
 
Ah, mas e o patrimônio comprado? Ele não tem valor? Sim, tem. No entanto, serve apenas como estoque de maquinário. Quando se quer saber qual o valor de mercado de uma empresa cotada em bolsa, o que se faz é multiplicar o preço da ação pelo número de ações existentes. Pega-se o preço da ação porque, em tese, este representa a expectativa dos dividendos futuros descontados ao longo do tempo pela taxa de desconto apropriada. Se isso vale para uma empresa privada, o mesmo é válido para uma empresa pública, como o é para qualquer outro empreendimento. O cálculo reflete os dividendos futuros porque mais cedo ou mais tarde o lucro obtido hoje será repassado para seus acionistas. Mesmo o lucro retido será, um dia, repassado ao acionista por meio de dividendo ou de aumento de preço (o que refletirá o ganho de capital obtido). (Vale realçar, a essa altura, que um bom gestor é aquele em que o lucro só é retido enquanto a empresa tiver taxas de expansão superiores àquelas que um acionistas poderia obter aplicando o valor obtido com o recebimento dos dividendos.)
 
Na verdade, o desconto do fluxo de caixa futuro da empresa, ao longo do tempo, por uma taxa de desconto apropriada reflete o tão decantado Valor Presente Líquido (VPL). Uma técnica muito conhecida entre os economistas, os administradores, os contabilistas, os engenheiros econômicos, entre outros. A própria técnica de se calcular o preço justo de uma ação é elaborada com base na técnica de VPL, como já o expliquei em uma outra postagem aqui, quando falei na técnica de valuation.
 
Desta forma, o primeiro dilema para se saber se as empresas estatais foram vendidas baratas está inserido na forma como o preço justo de um ativo, no caso, de uma empresa deve ser feito. Não pelo total do patrimônio líquido ou o total do capital social, e sim pelo desconto, à taxa de desconto apropriada, do fluxo de caixa futuro.
 
O segundo ponto a se ressaltar tem a ver com a condição pela qual o país passava quando houve o auge das privatizações. Como o disse em outra postagem, as privatizações foram muito importantes durante uma época em nosso país porque os recursos das privatizações foram usados para cobrir o déficit fiscal de dado ano, em uma época em que não produzíamos superávits primários (leia o texto sobre a política fiscal onde explico como se calcula o superávit primário e a importância deste para a economia). Assim, uma vez que os agentes saibam que o governo precisa do dinheiro das privatizações para cobrir parte do déficit público existente. Déficit público este que a essa época girava em torno dos 7 a 8% do PIB ao ano, em média. E, além disso, sabendo os agentes dispostos a comprar essas empresas estatais que o governo teria que pagar taxas de juros mais altas se não houvesse o dinheiro provindo das privatizações, esses regateavam o quanto lhes era possível.
 
Primeiro, os próprios recursos para pagar pelos leilões de privatizações não raro advinha do próprio BNDES, com crédito financiado pela taxa de juros de longo prazo (TJLP), uma taxa de juros mais barata frente às existentes no mercado. Segundo, davam lances inferiores àqueles esperados pelo governo; sendo a venda dessas empresas públicas vendidas pelo preço mínimo ou por um preço próximo ao mínimo exigido.
 
Não é questão de se o governo acertou ou errou. A questão é que o governo não tinha dinheiro para fazer novos investimentos para melhorar o maquinário e a tecnologia das empresas públicas. Do mesmo modo, alguns setores estavam muito defasados tecnologicamente e eram estratégicos que novos investimentos fossem feitos, como o caso do setor de telecomunicações. O grande entrave foi o desajuste das contas públicas à época, conhecidos por todos. O que resultou em necessidade por parte do governo. Ora, se vocêe sabe que alguém passa necessidade financeira e precisa de capital. Você tem o capital e é um empresário. Por que você vai pagar o preço justo dado pelo desconto do fluxo de caixa, ou seja, a técnica do VPL, se você pode regatear e pagar menos no leilão - até porque você sabe que os outros também pensarão assim, como você está pensando? Daí que era natural que alguns setores fossem vendidos por um preço inferior ao preço adequado. Ainda assim, como dito antes, o preço justo não é o preço registrado no capital social nem tampouco no patrimônio líquido, e isso é importante para que não se crie confusões. confusões essas muito comuns entre os estudantes e os iniciantes no assunto.
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Bolha da Enganação

Tenho lido, com alguma frequência, sobre uma possível bolha se formando no Brasil. Com a expansão monetária, mais recente, nos Estados Unidos, de 600 bilhões de dólares tal afirmação ganhou mais voz. Qual a verdade de tal argumento? Será ele coerente?

A visão que tenho: quer como economista, quer como professor, quer como operador no mercado, não está balizada com a de outros pares. Ainda que respeite os colegas, tenho uma visão diferente. Há uma grande liquidez internacional. Liquidez essa que se deve, em parte, a forte expansão fiscal realizada no ano passado na Europa e nos Estados unidos, e, em parte, a falta de alternativas para investimentos rentáveis em um mundo de taxas de juros tão baixas.

Após a Segunda Guerra Mundial, o pensamento hegemônico na economia defendia a tese de que a política monetária era inócua, de tal forma que se podia prescindir da mesma. Portanto, vivia-se em um mundo de taxas de juros próximas a zero: estávamos no auge da era Keynesiana. Já na década de 1960 começam as críticas dos monetaristas, precipuamente seu expoente maior, Milton Friedman.

Durante um bom tempo o mundo cresceu a taxas elevadas com essa política de política fiscal ativa combinada com reconstrução da Europa e do Japão (viabilizada pela forte demanda por bens norte-americanos) com uma política monetária frouxa. No entanto, quando a Europa e o Japão começaram a se recuperar, manter o forte crescimento norte-americano já não era tão fácil. A consequência dessa política foi o aumento excessivo de dólares no mundo. Não houve escolha, em 1971 os norte-americanos abandonaram o padrão ouro, passamos a viver no câmbio flutuante. Isso pelo menos para as grandes economias do mundo. As pequenas economias ainda viveram no câmbio fixo durante mais tempo, era uma forma desses governos fazerem política industrial por meio da manipulação da cotação cambial.

As principais economias do mundo passavam por recessão na década de 1970, de forma a se coordenarem aos novos custos industrias, fruto do aumento do preço do barril de petróleo. Com o aumento da liquidez internacional, fruto da expansão dos dólares, esses acabaram por aportar em países de economia pequena, mas em desenvolvimento. (Não se esqueçam, os petrodólares que eram apenas a drenagem dos dólares em excesso no mundo, pelos petroleiros.) A consequência que adveio para esses países foi a defasagem cambial (que fez com que acumulassem saldos negativos no balanço de pagamentos) e elevação de preços interna (a vulga, inflação).

Isso não significa que não possa haver uma bolha, mas não creio que essa esteja em processo. O que deve ocorrer no Brasil, falando especificamente de Brasil, é um rearranjo nos múltiplos dos ativos no mercado de capitais e uma elevação de preços internamente. Assim a política de taxas de juros altas voltará às bandas tupiniquins.

 Deixa eu explicar melhor o impacto sobre os ativos cotados na Bovespa. Quando calculamos se devemos comprar ou não um ativo, baseamos nossa análise no índice P/L, basicamente, ele é tudo: de um Armínio Fraga, até o mais incompetente operador, todos calculamos o P/L. Isso não quer dizer que não se use Análise Técnica, apenas que um bom analista entende a limitação dessa, o que não quer dizer que não a use. Bom, se trabalha, dependendo do setor, com P/L em torno dos 14 a 15, no Brasil (há um diferencial entre as ações mais líquidas e as menos líquidas, outra hora escrevo sobre isso melhor). A questão é que o país tem excelentes perspectivas para um crescimento estável nos próximos anos. É verdade que passaremos a importar mais e que o câmbio, com a forte entrada de recursos e especulação no DOLCOM futuro, continuará a ser um problema; facilitando a que muitos produtos estrangeiros aportem aqui (o que dificultará alguns setores da economia). Dessa forma, haverá um forte aporte de capitais aqui.

O capital que faz o preço de um ativo subir muito na bolsa de valores não monta uma bolha. O que ele faz, se for o caso, é alterar seus múltiplos. No entanto, e aí sim é importante frisar, é se o aumento dos múltiplos se dá fruto de forte expectativa futura para aquela empresa. Se tal, uma hora os múltiplos vão regredir a sua base histórica. Essa regressão pode se dá pela realização dos lucros futuros. Ou seja, por lucros líquidos cada vez mais e mais elevados que façam com que o lucro por ação fique cada vez maior e, assim, reduza a relação P/L, onde L é o lucro líquido anual dividido pelo número total de ações. Ou, se isso não ocorrer, pela queda forte no preço de cotação para o ativo, quando parte grande do público perceber que o ativo está esticado por deveras e que não irá realizar o lucro estimado pelo P/L. Como esse último caso está longe de ocorrer e, ainda, levando-se em conta que pequenos ajustes a bolsa sempre o faz. Não creio que estejamos formando bolha. O que existe é muita liquidez com poucas alternativas realmente boas de negócios. Vou ser mais direto, acredito que o dólar (como já afirmara entre amigos desde 2009) que o dólar fecha ano que vem em torno de 1,50, ainda que o governo lute contra, e que a bolsa termina 2011 entre 120 e 130 mil pontos base.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

VIVO4

Bom, falemos um pouco da VIVO4, minha nova aposta na Bovespa. Eu procuro sempre ativos que possam dar um retorno seguro. A mesma teve um lucro líquido no trimestre de cerca de 602 milhões. Como o 3º trimestre do ano passado registrou lucro líquido de cerca de 304 milhões, houve, portanto, um aumento no lucro por ação da companhia.

 

Da mesma forma, se pegarmos o lucro por ação da VIVO4 antes de sair o resultado desse 3º trimestre de 2010 e levarmos em conta o preço de 46 reais, em que era cotada a ação antes da alavancagem pela qual passou ao longo do mês de outubro, veremos que o P/L estava em 18,63. O P/L hoje, com o resultado divulgado há pouco, é de 16,40. Ou seja, ainda que o mercado tenha precificado parte do lucro ao longo do mês de outubro, ainda assim há um espaço para ganho de cerca de 14%.

 

Ademais, a empresa aumentou seu market-share e melhorou seu Ebitda e sua receita líquida. O que demonstra consistência no resultado. Creio que a empresa seja um bom investimento para as próximas semanas. Lembrando sempre que a cotação dos ativos é muito influenciada pelo humor do mercado. O que, no caso de uma perspectiva negativa, dificultará a realização de forma tão rápida.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Que é a Nossa Sociedade de Consumo?

Outro dia, em uma aula, eu expliquei aos meus alunos a base do que é a sociedade de consumo. Daí que resolvi compartilhar aqui com vocês. Se questiona muito sobre o que é a nossa sociedade atual: uma sociedade dita de consumo, de valores superficiais. Mas, quais são as bases dessa sociedade, ou seja, quais as características que tornam esse momento da história humana particular? E, por que a alcunha "sociedade de consumo"?

Bom, vocês devem notar que a vida útil dos bens duráveis hoje é menor do que já foi um dia. Assim, uma máquina de lavar de 1970 durava mais do que dura hoje uma máquina de lavar vendida nos tempos atuais. Da mesma forma, a vida útil de um carro ano 1960 era superior do que a vida útil de um carro ano 1988, por exemplo. Até o estado de conservação é outro, dado que se necessita fazer menos manutenção.

O que ocorre é que a fabricação dos produtos atuais é feita para durar menos, como forma de forçar a necessidade de que as pessoas sempre precisem adquirir tal produto. Como se sabe, de tempos em tempos, devido a deterioração dos bens duráveis, como máquina de lavar, geladeira, fogão, TV, carro, entre outros, é necessário comprar novos para repor aqueles que já estão com a qualidade comprometida devido ao desgaste. Assim, reduzindo o tempo de vida útil, forçasse a busca por novos produtos. Como consequência, dinamizasse a produção e mantém as empresas constantemente operando. Por isso o tempo de vida útil desses equipamentos domiciliares fora reduzido: é uma forma de manter a demanda pelo produto em patamar que mantenha uma produção elevada.

A outra característica presente na nossa sociedade atual, dita de consumo, advém das aceleradas alterações tecnológicas. As pessoas só consomem um bem por dois motivos: ou porque querem adquirir algo novo ou porque precisam repor o que fora desgastado devido ao uso ao longo do tempo. Reduzir o tempo de vida útil de um produto faz com que haja uma demanda constante pelo produto. No entanto, a cada ano, uma pequena parcela de toda a demanda é reposta. Dessa forma, é através da novidade, do novo, que as empresas conseguem levantar grandes ganhos, por isso a corrida tecnológica em determinados setores.

Assim, essas são as duas bases em que se mantém a sociedade de consumo: redução do tempo de vida útil dos bens duráveis e veloz avanço tecnológico. Mas o veloz avanço da alteração tecnológica merece um olhar mais acurado de nossa parte. Esse se realiza na mente dos indíviduos por dois caminhos. Primeiro, a propaganda incute no indivíduo a necessidade de ter o produto, que muitas das vezes é supérfluo em sua vida. Mas, devido à propaganda e, ao consequente efeito que a propaganda o faz, o indivíduo crê que precisa do produto. O segundo caminho é um aspecto meramente da nossa coletividade. Se você possui um celular que serve para ligar e passar mensagens, você é visto como um "pobre" por não ter um "BlackBerry" ou um "IPhone", por exemplo. Da mesma forma, que se você comprar uma camisa do seu time de futebol e, dois meses depois, seu time trocar o uniforme, você mesmo vai começar a achar que sua camisa é velha. Ou então, quando você for a um estádio, vai ter a impressão que todos estão achando que sua camisa é velha e ultrapassada. Isso porque você tenha comprado a camisa há dois meses.

As empresas, muitas vezes, colocam produtos novos no mercado, que não trazem em si grandes alterações tecnológicas, apenas deixam a sensação de que algo é novo e o que você possui é velho. O que cria nas pessoas, pelo menos grande parcela delas, a sensação de que precisam ir às compras de novo. Para tanto, é necessário uma sociedade que se sinta carente, frágil e que, tal qual uma criança mimada, precise a todo instante, ver seus desejos supridos. Uma sociedade assim, pensa pouco e reage com alguma violência ao ser contrariada.

Se questiona muito sobre a perda de valores dos jovens. No entanto, eles são frutos do sistema atual que se renova em grande velocidade, precisando de uma massa de consumidores que não reflita sobre as bases de nossa sociedade. Muitas das características que vislumbramos hodiernamente em nossa sociedade advém desse sitema.

Quebrar o sistema, alterá-lo para tornar cidadãos mais conscientes, mais pensadores e menos manipulados por seus impulsos, falsamente criados? Acho difícil e pouco crível. A manutenção dos empregos da forma que se dá hoje, se baseia muito nesse sistema. Se o tempo de vida útil fosse maior e/ou as mudanças tecnológicas (ou, em muitos casos, mera mudança de "embalagem", no caso de alguns produtos) o que ocorreria é que seria necessário produzir menos para repor o que foi desgastado. Além disso, as pessoas só comprariam quando fosse realmente necessário. Com isso, ao produzir menos, e tendo um consumidor consciente, pouco manipulável, as empresas produziriam menos e, portanto, precisariam de menos trabalhadores. Aumentando assim a massa dos desempregados, o que teria fortes repercussões sociais. Assim, em suma, precisamos de uma sociedade fraca, carente e alienada para manter a economia em crescimento.

Talvez você esteja se perguntando o que esse tema tem a ver com o mundo dos mercados financeiros. Diria que tudo. Entender o mundo em que vivemos, a base em que ele está construído, seus valores e idiossincrasias, ajudam-nos a entender as pespectivas dos diferentes setores da economia e a dinâmica de cada setor, em cada momento. Mercado financeiro não é só formado por relações econômicas, mas também pelo estudo sociológico dos diferentes grupos (principalmente se é possível saber qual o público-alvo de uma dada empresa), do conhecimento da psicologia social, do raciocínio abstrato advindo da filosofia, entre outros conhecimentos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Privatização: Porque o Processo parou nos Últimos Anos

 Nas duas últimas eleições tem sido assim: chega época de eleição e o PT adota o "terrorismo" político de que se o PSDB ganhar as eleições presidenciais irão voltar as privatizações. Do mesmo modo a incapacidade dos candidatos a presidência, pelo PSDB, não deixa claro se vão ou não privatizar.

 

A função do governo é primordial em determinados setores como a segurança nacional e pública, o poder de polícia ao fiscalizar os diferentes processos de produção, quanto aos aspectos sanitários dos mesmos, peso adequado, entre outros, da mesma forma que também é importante no processo de resolução da liades. Outrossim, existem bens, ditos meritórios, saúde e educação, que por trazerem benefícios a sociedade cabe ao Estado oferecê-los à sociedade.

 

Mas, e bens industriais, típicos das relações de mercado, como produção e distribuição de energia elétrica, fornecimento de gás, pré-sal e outros mais? Há setores que tendem a uma estrutura de mercado monopolizada: ou porque o mercado é pequeno, ou porque os custos são elevados e impeditivos para outras empresas adentrarem o setor.

 

No Brasil, o fato de o governo federal e os governos estaduais criaram empresas porque perceberam que os altos custos de certos setores, importantes para o desenvolvimento da indústria nacional, ainda incipiente àquela época, o forçaram a isso. O motivo se baseou no dimensionamento do mercado, dada a restrita demanda, fruto do baixo poder aquisitivo da população à época. Outro motivo era os elevados custos iniciais frente ao seu payback (tempo necessário para recuperar o capital inicial investido, sem levar em conta o custo do dinheiro ao longo do tempo).

 

Com o tempo, fruto do aperto fiscal pelo qual o país passou nos fins dos anos 1970 e ao longo da década de 1980, foi ficando difícil para os governos federal e estaduais (esses ainda se utilizaram dos recursos de suas instituições bancárias estaduais para continuar investindo em suas empresas estatais estaduais até o advento do Plano Real e o fim das taxas elevadas de inflação no país) investirem em suas, respectivas empresas. Muitas empresas, conseqüentemente, ficaram defasadas em seus equipamentos e tecnologia existente. Portanto, isso acabou se refletindo na produtividade dessas empresas, que passaram a ser ineficientes dado o serviço que prestavam à população.

 

O processo de privatização veio como uma forma de essas empresas se recapitalizarem e obterem recursos para novos investimentos. Como tal, nos setores de maior importância para a sociedade, o governo saiu da parte executiva, para a regulatória: assim foram criadas as agências reguladoras. Durante o processo de privatização, no Brasil, as receitas oriundas da privatização serviram para abater déficits fiscais em cursos em dado ano.

 

Ao longo do período de inflação aberta, onde o Brasil possuía taxas de inflação elevadas, as contas fiscais eram ajustadas, ao longo do governo de Fernando Collor e do governo de Itamar Franco, por meio do encurtamento do período de arrecadação dos impostos. Além disso, os ministros da Fazenda aprenderam a não negar nenhuma despesa requerida, apenas iam adiando o gasto da mesma o quanto possível, de forma a que a inflação corroesse as rubricas de despesa e, assim, ajusta-se o orçamento público, de forma a manter as contas entre despesas e receitas equilibradas.

Com o fim da inflação no Brasil, pelo menos o fim de taxas elevadas ao mês (tivemos inflação de 33% no primeiro ano do Real), já não era mais possível usar esse processo para o ajuste das contas públicas. Logo, ainda antes da entrada em vigor do Plano Real o governo tenha elaborado um Fundo Social de Emergência, que nada mais era do que a desvinculação das receitas orçamentárias. Ou seja, foi uma forma encontrada pelo governo de ter flexibilidade no orçamento, dado que após a Constituição de 1988 o governo passou a ter parte significante de suas receitas atreladas a gastos ou transferências específicas. Ainda assim, não foi suficiente para ajustar as contas do governo, que passou a ter um elevado déficit nominal (fiscal).

 

Assim, as privatizações serviram para suprir parte do déficit fiscal existente no período. Em outras palavras, como eram calculados após o cálculo das necessidades de financiamento do setor público (NFSP), os recursos oriundos da privatização serviam para abater esses gastos. Dessa forma, sem os recursos das privatizações o déficit fiscal seria maior ainda. Logo, maior seria o montante do endividamento público também.

 

O processo de privatização, que no início servia para trazer novos investimentos para determinadas empresas e, assim, recapitalizar as mesmas e melhorar sua eficiência produtiva, acabou ganhando novo corpo com a necessidade de se gerar saldos para evitar que a dívida pública crescesse desmensuradamente, em um momento em que as contas públicas ainda se ajustavam. Ao longo do tempo, as contas públicas se ajustaram pelo aumento da carga tributária e depois, já no governo Lula, pela retomada do crescimento econômico. Daí que hoje, as receitas oriundas das privatizações já não são vitais para o ajuste das contas públicas nacionais.

 

Ficam questões a serem resolvidas em outras postagens. Por que se argumenta que as empresas estatais brasileiras foram vendidas abaixo de seu valor de mercado, isso é verdade? Por que eu afirmo que o processo de o governo reestatizar ou mesmo construir empresas estatais é anacrônico? E o que está por trás desse processo de se construir empresas economicamente falando? ( São coisas a se responder em outras postagens, em breve).

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Aluguel de Ações

Um conhecido me questionou sobre o porquê de eu usar o número de pedidos abertos de aluguéis de ações em minhas análises. Resolvi adaptar a resposta que dei a ele para meu blog e, assim, informar a todos que tenham o mesmo interesse.

Quando o número de aluguéis aumenta, significa que as intituições financeiras (que são as que mais operam descoberto, ou seja, as que mais alugam ações para a venderem posteriormente) estão apostando na baixa daquela ação. Ou seja, elas alugam a ação, vendem-na no mercado, esperando o preço cair e a recompram de novo, devolvendo a quem pegaram emprestado. O ganho na operação para aquele que pegou a ação a descoberto, por meio do aluguel de ações, se dá pelo diferencial. Ele vendeu a ação na alta e, como o preço foi baixando ao longo do tempo, ele a recomprou na baixa, no momento em que considerou o preço da ação baixo o suficiente para realizar seu ganho na operação
.
Assim, se o número de pedidos de uma determinada ação aumenta em dado momento, significa que as instituições financeiras estão apostando na queda do ativo para os próximos pregões. Se o número de aluguéis diminui, ocorre o oposto, ou seja, o mercado está apostando que o ativo já caiu o necessário e dali em diante a tendência é subir; então as instituições financeiras, que como disse antes, são as que em maior parte vendem a descoberto, por meio do aluguel de ações, começam a recomprar a ação, vendo que não há muito espaço para novas quedas. No entanto, se houver muitas posição de aluguéis de ações em aberto, é possível que o ativo demore a subir, enquanto outros no mercado demorarem a perceber a mudança na tendência, de baixista para altista.

Essa é uma forma de se saber se as principais instituições do mercado estão apostando em uma alta ou em uma baixa, para um dado ativo (ação). Mesmo assim, vale ressaltar: ao se fazer essa análise, sobre os pedidos de aluguéis de ação, que o indivíduo deve levar em conta as notícias do setor, as notícias do cenário econômico nacional e internacional, ter consciência da dinâmica dos múltiplos P/L e P/VPA, analisar também os indicadores técnicos como o IFR, o estocástico, o MACD, em suma, buscar outras informações que deem a ele a segurança de que sua análise está correta e bem centrada.

Em suma, é um conjunto de informações que vão nos dar a segurança de que aquele é mesmo o ativo a se abrir uma posição e se a tendência para o mesmo é de baixa ou de alta. Assim, o número de pedidos de aluguel de ações é apenas mais uma informação, entre tantas, a serem checadas antes de se abrir um posição em uma ação. No Brasil. um bom site para se checar a dinâmica para uma ação ao longo dos últimos pregões é dada em http://www.dadosdabolsa.com/

Abraços a todos e bons negócios, qualquer dúvida é só perguntar!