Blog destinado a troca de informações sobre aspectos ligados à análise econômica e financeira, análise de ativos e análise da conjuntura econômica.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Os Diferentes Fluxos de Caixa
No entanto, existem 4 espécies de fluxos de caixa (ou que pelo menos recebem essa alcunha), cada qual com sua atribuição específica. O primeiro deles é o Controle de Caixa, que registra os movimentos financeiros diários de uma empresa. Infelizmente, muitos denominam esse controle de caixa (de vital importância para a empresa) de fluxo de caixa. Na verdade, o controle de caixa registra as entradas de caixa daquele dia. Oriundas, por exemplo, de aplicações financeiras com recursos ociosos, vendas a vista, recebimento de vendas feitas a prazo em uma data anterior. Do mesmo modo, esse controle de caixa também registra as saídas de caixa daquele dia, oriundas, por exemplo, de pagamentos de duplicatas de compras contraídas no passado, pagamento de compras a vista, pagamentos de tributos naquele dia, entre outros pagamentos. No final do dia, o confronto entre as entradas e as saídas somado ao saldo existente em caixa no início do dia nos dá o saldo de caixa ao fim do dia, o qual será o saldo inicial do dia seguinte e assim sucessivamente.
Um outro fluxo de caixa é a Demonstração do Fluxo de Caixa, um demonstrativo contábil com projeto de lei tramitando no Congresso Nacional para torná-lo obrigatório para as sociedades anônimas de capital aberto, substituindo a Demonstração das Origens e Aplicaçõesde Recursos. Uma peça útil que retrata quais as contas contábeis que fizeram com que houvesse variação nas disponibilidades da empresa entre um período e outro.
O terceiro fluxo de caixa a se falar aqui é de vital importância para o gerenciamento dos negócios de uma empresa, tal qual o é o controle de caixa. Trata-se do fluxo de caixa estimado para os próximos meses. Por meio dele a empresa projeta quanto será o custo variável, quanto será o pagamento de tributos para os próximos meses, do mesmo modo, pode estimar a demanda de seu produto levando em conta a sazonalidade do mesmo, como vai se comportar o preço de seu produto no mercado, quanto deve realizar de vendas a prazo e o quanto esperar de inadimplência. Em suma, com o fluxo de caixa estimado para os próximos meses bem elaborado, a empresa pode projetar estratégias para aumentar sua participação no mercado ou, ainda, encontrar meios de se tornar mais eficiente, reduzindo custos desnecessários.
O quarto fluxo de caixa é aquele em o analista projeta o fluxo de caixa para os próximos anos, via de regra um cenário de 3 a 5 anos. Da mesma forma como é feito para o fluxo de caixa para os próximos meses, tal qual o fazemos para o fluxo de caixa para os próximos anos. A diferença é que a variação no preço dos insumos, a variação no preço do produto da empresa, o tamanho da demanda, entre outros fatores, podem sofrer maior variação. Daí a importância maior de se trabalhar com diferentes cenários. Em geral, o que se faz é montar um cenário moderado, que é o cenário normal e, daí, montar um cenário otimista e um pessimista. Para montagem do cenário otimista pode-se fazer com que a demanda aumente 10%, por exemplo, o preço aumente 10%; em suma, tudo melhore 10%, ou um fator de proporção fixo que se escolha, sem ser 10%. Ou ainda, se o analista tiver dados mais confiáveis, usar esses dados. Isso vai ser feito tanto para o cenário otimista, como explicado, quanto para o cenário pessimista. Após isso, calcula-se an sensibilidade dessas variação do cenário otimista (ou pessimista) em relação ao cenário padrão, dito, por nós, como moderado. Ao descontar esse fluxo de caixa para o valor presente, a empresa tem uma noção clara se o projeto (no caso de a empresa estiver adquirido uma nova planta de produção, por exemplo) é ou não viável, por meio das técnicas de decisão de investimento, como o valor presente líquido (VPL). Ou, no casop de um analista analisando o preço justo de uma ação, ele desconta o fluxo de caixa com a taxa de desconto que considera apropriada e vê o resultado que se deu na data 1. Por isso que a projeção do preço justo de uma ação se dá sempre para daqui a 12 meses, pois se desconta até a data 1 e não para a data presente (data zero).
sábado, 19 de fevereiro de 2011
A Importância de se Estimar a Demanda
A estimativa de demanda, por parte da empresa, segue duas visões: uma de curto e médio prazo e outra, mais estratégica, de longo prazo. A estimativa de curto e médio parazo da demanda serve para a previsão do fluxo de caixa para os próximo meses: digamos, os próximos 6 meses. A outra, de longo prazo, para elaborar os diferentes cenários que podem surgir diante dessa empresa e a sensibilidade que se tem para uma variável no estudo. Exemplo, se o preço de venda estiver, digamos, 20% acima do estimado para o cenário moderado, qual o impacto que isso terá sobre o Valor Presente Líquido (vale dizer, o valor presente do fluxo de caixa estimado para o futuro) do estudo em questão.
Ambos os estados, quer de curto e médio prazo, quer de longo prazo, são importantes para a empresa. Para o profissional que estuda se deve ou não comprar um ativo saber as perspectivas para o fluxo de caixa dos próximos meses talvez não seja tão fácil, uma vez que não terá o volume de vendas dos últimos meses e nem tampouco, a sazionalidade dos anos anteriores para saber o percentual da mesma e o quanto impacta as vendas de um mês para o outro. Afinal, é sabido que certos produtos encontram maior demanda certos meses em detrimento de outros meses. No estanto, este pode, ainda sim, obter a demanda futura para os próximos anos, uma vez que pode, por meio de uma regressão (seja simples, seja múltipla - técnica econométrica...não falaremos dela nessa postagem, fica essa possibilidade para o futuro) projetar um intervalo de confiança para essa demanda. Assim, com o volume de vendas em um intervalo de confiança, este pode projetar como variará, dada a conjuntura econômica que se espera para a economia e para o setor específico do produto da empresa em questão, obter a receita e o custo de produção para os próximos anos.
Óbvio, estamos em um exercício de estimação. Tanto para a empresa, quanto para o analista dessa empresa que deseja comprar seu ativo (ou, quiçá, vendê-lo) não se terá certeza absoluta de nada, apenas se está dando maior embasamento para o futuro, tendo parâmetros mais próximos para o que realmente se espera para o futuro. Não obstante não se ter certeza de nada, ainda assim isso é relevante, na medida que nos dá um guia de ação. No entanto, deve ficar claro, tanto para quem analisa a empresa quanto para a empresa em si, que essa estimação da demanda e o consequente fluxo de caixa estimado para os próximos anos devem ser revistos de tempos em tempos para adequá-lo à realidade da empresa e à conjuntura econômica da economia como um todo e do setor onde ela (a empresa) atua. Afinal, quanto maior a lacuna de tempo tanto maior a chance de previsão errada. Em outras palavras, quanto mais afastado no tempo a previsão (digamos, para daqui a 3 anos, por exemplo) mas complicado de se prever com grande acurácia a demanda do produto. Assim, a demanda prevista para o ano que vem tem maior probavbilidade de acerto do que a estimativa da demanda para um certo produto para daqui a 3 anos. Inúmeras coisas podem acontecer entre hoje e daqui a 1 ano que podem nos desviar do que projetamos (por isso devem os sempre acompanhar essa projeção elaborada), mas ainda assim, muito provavelmente o desvio não será tão grande assim, se ocorrer o ajuste devido, fruto do acompanhamento das vendas no dia-a-dia da empresa. No entanto, em 3 anos podem ocorrer tantas, mas tantas coisas, que a chance de se cometer um erro aumenta consideravelmente.
Como fora dito em uma das primeiras postagens aqui, neste fórum, para o analista financeiro que aplique por conta própria, existem outras variáveis que exigem menos conhecimento, menos estudos e que dão um resultado próximo para se saber se deve ou não comprar um ativo. Rwefiro-me ao método do P/L, do P/VPA, por exemplo.
Em uma próxima postagem, elaborarei melhor a montagem do fluxo de caixa, a estimação da demanda, com as técnicas apropriadas e os diferentes fluxos de caixa existentes em uma empresa. Pretendo, no futuro, falar também do porquê muitas empresas dão lucro, mas quando começam a crescer acabam quebrando e como se deve fazer uma boa gestão de sua empresa.
Abraços a todos!
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Fluxo de Caixa e sua Importância Econômico-Financeira
Muitas empresas incipientes mantém seu controle das entradas e das saídas dos recursos por meio de anotações simples, como o livro-caixa, o registro no livro diário... Mais tarde se elabora o balanço patrimonial e mesmo a demonstração do resultado do exercício. No entanto, o cuidado com o resultado financeiro da empresa não pode ser medido por esses dois balanços, ainda que muito importantes ambos, pela nossa legislação tributária. O resultado econômico, vale dizer, não reflete, na imensa maioria dos casos, o resultado financeiro.
A justificativa para isso está em duas questões a serem analisadas aqui. Uma é a diferença entre o regime de competência das receitas e das despesas e o regime de caixa das receitas e das despesas. A outra questão está, como supracitado, na legislação tributária. Então, analisemos as coisas com calma.
Primeiro, falemos dos regimes de competência e regime de caixa. O regime de competência nos diz que as receitas e as despesas devem ser registradas no momento de sua constituição. Em outras palavras, no momento em que esteja acordada a venda, ainda que a prazo, no caso das receitas, ou, no caso das despesas, no momento em que esteja constituída materialmente, por meio de uma aquisição de um serviço ou bem. Assim, ainda que a entrada do numerário só se dê no futuro, para empresa, pelo regime de competência, o registro se faz no ato.
Por outro lado, no regime de caixa, as receitas e despesas somente serão registradas quando de sua efetiva movimentação no financeiro da empresa. Assim, uma venda de um bem a prazo, só será registrada quando do recebimento dos recursos pagos pelo bem, ainda que a cessão do bem se dê hoje. O mesmo vale para as despesas: uma compra a prazo de um equipamento, com 50% de entrada e o restante a ser pago daqui a 30 dias, é registrada a despesa de 50% do montante hoje, e os outros 50% somente serão registrados daqui a 30 dias.
Dessa forma, o regime de caixa reflete melhor as entradas e saídas dos recursos, uma vez que somente quando entra o dinheiro de fato na empresa é que esta o registra. Do mesmo modo, somente quando do pagamento e, consequente, saída do dinheiro da empresa é que está o registra. Para uma empresa, o que interessa, de fato, não é a promessa de entrada de recurso, ou a perspectiva de saída do mesmo, mas a sua real entrada ou real saída. Isso porque, se uma empresa tem 30 dias para pagar a prestação de um bem adquirido pela mesma, ela pode pegar esse recurso e aplicá-lo, quer na empresa, quer em um ativo no mercado financeiro, e com isso, obter um ganho em cima dessa aplicação. Ganho esse que irá aumentar o resultado da empresa. Do mesmo modo, a empresa pode registrar a obtenção de uma receita, que não venha a si materializar, por falência do devedor. Ou ainda, tenha feito, a empresa, uma provisão para perdas maior que a devido de fato.
A legislação brasileira segue o regime de competência, uma vez que o mesmo é obrigatório, segundo a legislação do Imposto de Renda. Não obstante, o resultado financeiro só é obtido de forma válida quando se leva em conta o regime de caixa, uma vez que esse registra as reais entradas e saídas de recursos.
Uma outra coisa a se salientar, e aqui vamos para o segundo ponto, é a forma como é elaborado o lucro líquido. Essa forma, seguida pela Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é determinada pela legislação do Imposto de Renda. Não visa o lucro líquido de um período, uma vez que a empresa registra como lucro líquido receitas que ainda não se realizaram. Ainda que se provisione para devedores duvidosos, o mesmo pode ser maior ou menor que o lucro de fato. Além do fato de a despesa contar valores que não necessariamente foram pagos no período correspondente, isso porque a promessa de pagamento pode estar acertada para uma data do próximo período.
Ademais, uma empresa pode realizar lucro ao fim do período, pela Demonstração do Resultado do Exercício e estar em situação de insolvência. A justificativa para uma situação dessa está baseada no fato de que uma empresa pode ter contraído negociações tais ao longo do período que as receitas foram em boa parte obtidas a prazo, por meio, digamos, de crediário ou de recebimento de duplicatas. Não obstante, as despesas, em sua grande maioria, foram pagas a vista. Nesse caso, se as receitas forem consideráveis, a empresa pode registrar um lucro líquido ao fim do período. No entanto, o resultado de caixa pode ser negativo. Isso porque parte das receitas ainda será recebidas, enquanto as despesas são pagas, como dito, em boa parte, no ato. A consequência, é a redução no caixa da empresa, ou, pelo menos, um grande risco para a mesma. Uma estratégia de política comercial sem dúvida arriscada.
Com esse pensamentos, penso ter deixado claro a importância de se realizar e analisar a forma como ocorrem os fluxos de entradas e saídas de caixa da empresa. Uma outra coisa que vale a pena realçar, é que apesar de os fluxos de caixa serem importantes, existe uma diferença entre o fluxo de caixa contábil e o fluxo de caixa econômico.
O fluxo de caixa contábil está substanciado na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), que pode ser obtido pelo método direto ou indireto, os quais não falaremos aqui dada a limitação de espaço. Seu resultado final é retratado pelo quanto de Disponível possui a empresa ao fim do período em análise. Do mesmo modo, revela como variou entre o início do período e seu término. Sem dúvida, essas informações são de grande relevância, tanto para a empresa quanto para quem a analisar.
No entanto, se queremos analisar as estratégias da empresa, devemos nos focar no fluxo de caixa, sob o aspecto econômico. Em outras palavras, devemos nos ater aos custos variáveis, aos custos fixos, o preço dos insumos, como está o mercado de insumos para a empresa em questão, qual a capacidade produtiva da empresa, quanto ela usa dessa capacidade produtiva, qual o preço médio de seu produto. Em suma, temos que detalhar os aspectos reais de mercado sobre as receitas e despesas da empresa. Do mesmo modo, em um segundo passo, temos que nos ater as capacidades futuras da empresa e suas possibilidades estratégicas para expandir-se, tomar mercado das demais, entre outras informações. Com base nesse fluxo de caixa, a empresa saberá como está sua variação de caixa, seu real potencial e quais estratégis de decisão tomar para o futuro.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Como Calcular o P/L
| Tabela 1: Lucro Líquido da Petrobrás por trimestre |
| 30/09/10 | 30/06/10 | 31/03/10 | 31/12/09 | 30/09/09 | |
| Lucro Líquido | 8.566.452.224 | 8.294.989.824 | 7.726.274.048 | 8.128.872.448 | 7.302.567.936 |
terça-feira, 16 de novembro de 2010
As Empresas Estatais Foram vendidas Baratas?
O preço que se vai pagar por qualquer empreendimento não deve estar baseado no capital social da empresa, ou mesmo no seu patrimônio líquido, como alguns argumentam. Tanto o capital social quanto o patrimônio líquido indicam o que a empresa conquistou, o quanto de capital societário ela possui ou o quanto ela possui de patrimônio próprio, respectivamente. No entanto, para quem compra uma empresa o que importa é o potencial de geração de caixa futuro, que será dado pelo fluxo de caixa advindo dos próximos períodos até a maturação do investimento realizado; onde não mais se pode realizar novos lucros sem que se faça novos investimentos. É a geração do fluxo de caixa que importará, uma vez que é esse que entrará de fato de ganho para quem adquiriu o novo negócio. Os ganhos realizados no passado remuneraram quem administrava a empresa no passado. Para quem a compra hoje, o que importa é o ganho futuro.
Ah, mas e o patrimônio comprado? Ele não tem valor? Sim, tem. No entanto, serve apenas como estoque de maquinário. Quando se quer saber qual o valor de mercado de uma empresa cotada em bolsa, o que se faz é multiplicar o preço da ação pelo número de ações existentes. Pega-se o preço da ação porque, em tese, este representa a expectativa dos dividendos futuros descontados ao longo do tempo pela taxa de desconto apropriada. Se isso vale para uma empresa privada, o mesmo é válido para uma empresa pública, como o é para qualquer outro empreendimento. O cálculo reflete os dividendos futuros porque mais cedo ou mais tarde o lucro obtido hoje será repassado para seus acionistas. Mesmo o lucro retido será, um dia, repassado ao acionista por meio de dividendo ou de aumento de preço (o que refletirá o ganho de capital obtido). (Vale realçar, a essa altura, que um bom gestor é aquele em que o lucro só é retido enquanto a empresa tiver taxas de expansão superiores àquelas que um acionistas poderia obter aplicando o valor obtido com o recebimento dos dividendos.)
Na verdade, o desconto do fluxo de caixa futuro da empresa, ao longo do tempo, por uma taxa de desconto apropriada reflete o tão decantado Valor Presente Líquido (VPL). Uma técnica muito conhecida entre os economistas, os administradores, os contabilistas, os engenheiros econômicos, entre outros. A própria técnica de se calcular o preço justo de uma ação é elaborada com base na técnica de VPL, como já o expliquei em uma outra postagem aqui, quando falei na técnica de valuation.
Desta forma, o primeiro dilema para se saber se as empresas estatais foram vendidas baratas está inserido na forma como o preço justo de um ativo, no caso, de uma empresa deve ser feito. Não pelo total do patrimônio líquido ou o total do capital social, e sim pelo desconto, à taxa de desconto apropriada, do fluxo de caixa futuro.
O segundo ponto a se ressaltar tem a ver com a condição pela qual o país passava quando houve o auge das privatizações. Como o disse em outra postagem, as privatizações foram muito importantes durante uma época em nosso país porque os recursos das privatizações foram usados para cobrir o déficit fiscal de dado ano, em uma época em que não produzíamos superávits primários (leia o texto sobre a política fiscal onde explico como se calcula o superávit primário e a importância deste para a economia). Assim, uma vez que os agentes saibam que o governo precisa do dinheiro das privatizações para cobrir parte do déficit público existente. Déficit público este que a essa época girava em torno dos 7 a 8% do PIB ao ano, em média. E, além disso, sabendo os agentes dispostos a comprar essas empresas estatais que o governo teria que pagar taxas de juros mais altas se não houvesse o dinheiro provindo das privatizações, esses regateavam o quanto lhes era possível.
Primeiro, os próprios recursos para pagar pelos leilões de privatizações não raro advinha do próprio BNDES, com crédito financiado pela taxa de juros de longo prazo (TJLP), uma taxa de juros mais barata frente às existentes no mercado. Segundo, davam lances inferiores àqueles esperados pelo governo; sendo a venda dessas empresas públicas vendidas pelo preço mínimo ou por um preço próximo ao mínimo exigido.
Não é questão de se o governo acertou ou errou. A questão é que o governo não tinha dinheiro para fazer novos investimentos para melhorar o maquinário e a tecnologia das empresas públicas. Do mesmo modo, alguns setores estavam muito defasados tecnologicamente e eram estratégicos que novos investimentos fossem feitos, como o caso do setor de telecomunicações. O grande entrave foi o desajuste das contas públicas à época, conhecidos por todos. O que resultou em necessidade por parte do governo. Ora, se vocêe sabe que alguém passa necessidade financeira e precisa de capital. Você tem o capital e é um empresário. Por que você vai pagar o preço justo dado pelo desconto do fluxo de caixa, ou seja, a técnica do VPL, se você pode regatear e pagar menos no leilão - até porque você sabe que os outros também pensarão assim, como você está pensando? Daí que era natural que alguns setores fossem vendidos por um preço inferior ao preço adequado. Ainda assim, como dito antes, o preço justo não é o preço registrado no capital social nem tampouco no patrimônio líquido, e isso é importante para que não se crie confusões. confusões essas muito comuns entre os estudantes e os iniciantes no assunto.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A Bolha da Enganação
A visão que tenho: quer como economista, quer como professor, quer como operador no mercado, não está balizada com a de outros pares. Ainda que respeite os colegas, tenho uma visão diferente. Há uma grande liquidez internacional. Liquidez essa que se deve, em parte, a forte expansão fiscal realizada no ano passado na Europa e nos Estados unidos, e, em parte, a falta de alternativas para investimentos rentáveis em um mundo de taxas de juros tão baixas.
Após a Segunda Guerra Mundial, o pensamento hegemônico na economia defendia a tese de que a política monetária era inócua, de tal forma que se podia prescindir da mesma. Portanto, vivia-se em um mundo de taxas de juros próximas a zero: estávamos no auge da era Keynesiana. Já na década de 1960 começam as críticas dos monetaristas, precipuamente seu expoente maior, Milton Friedman.
Durante um bom tempo o mundo cresceu a taxas elevadas com essa política de política fiscal ativa combinada com reconstrução da Europa e do Japão (viabilizada pela forte demanda por bens norte-americanos) com uma política monetária frouxa. No entanto, quando a Europa e o Japão começaram a se recuperar, manter o forte crescimento norte-americano já não era tão fácil. A consequência dessa política foi o aumento excessivo de dólares no mundo. Não houve escolha, em 1971 os norte-americanos abandonaram o padrão ouro, passamos a viver no câmbio flutuante. Isso pelo menos para as grandes economias do mundo. As pequenas economias ainda viveram no câmbio fixo durante mais tempo, era uma forma desses governos fazerem política industrial por meio da manipulação da cotação cambial.
As principais economias do mundo passavam por recessão na década de 1970, de forma a se coordenarem aos novos custos industrias, fruto do aumento do preço do barril de petróleo. Com o aumento da liquidez internacional, fruto da expansão dos dólares, esses acabaram por aportar em países de economia pequena, mas em desenvolvimento. (Não se esqueçam, os petrodólares que eram apenas a drenagem dos dólares em excesso no mundo, pelos petroleiros.) A consequência que adveio para esses países foi a defasagem cambial (que fez com que acumulassem saldos negativos no balanço de pagamentos) e elevação de preços interna (a vulga, inflação).
Isso não significa que não possa haver uma bolha, mas não creio que essa esteja em processo. O que deve ocorrer no Brasil, falando especificamente de Brasil, é um rearranjo nos múltiplos dos ativos no mercado de capitais e uma elevação de preços internamente. Assim a política de taxas de juros altas voltará às bandas tupiniquins.
Deixa eu explicar melhor o impacto sobre os ativos cotados na Bovespa. Quando calculamos se devemos comprar ou não um ativo, baseamos nossa análise no índice P/L, basicamente, ele é tudo: de um Armínio Fraga, até o mais incompetente operador, todos calculamos o P/L. Isso não quer dizer que não se use Análise Técnica, apenas que um bom analista entende a limitação dessa, o que não quer dizer que não a use. Bom, se trabalha, dependendo do setor, com P/L em torno dos 14 a 15, no Brasil (há um diferencial entre as ações mais líquidas e as menos líquidas, outra hora escrevo sobre isso melhor). A questão é que o país tem excelentes perspectivas para um crescimento estável nos próximos anos. É verdade que passaremos a importar mais e que o câmbio, com a forte entrada de recursos e especulação no DOLCOM futuro, continuará a ser um problema; facilitando a que muitos produtos estrangeiros aportem aqui (o que dificultará alguns setores da economia). Dessa forma, haverá um forte aporte de capitais aqui.
O capital que faz o preço de um ativo subir muito na bolsa de valores não monta uma bolha. O que ele faz, se for o caso, é alterar seus múltiplos. No entanto, e aí sim é importante frisar, é se o aumento dos múltiplos se dá fruto de forte expectativa futura para aquela empresa. Se tal, uma hora os múltiplos vão regredir a sua base histórica. Essa regressão pode se dá pela realização dos lucros futuros. Ou seja, por lucros líquidos cada vez mais e mais elevados que façam com que o lucro por ação fique cada vez maior e, assim, reduza a relação P/L, onde L é o lucro líquido anual dividido pelo número total de ações. Ou, se isso não ocorrer, pela queda forte no preço de cotação para o ativo, quando parte grande do público perceber que o ativo está esticado por deveras e que não irá realizar o lucro estimado pelo P/L. Como esse último caso está longe de ocorrer e, ainda, levando-se em conta que pequenos ajustes a bolsa sempre o faz. Não creio que estejamos formando bolha. O que existe é muita liquidez com poucas alternativas realmente boas de negócios. Vou ser mais direto, acredito que o dólar (como já afirmara entre amigos desde 2009) que o dólar fecha ano que vem em torno de 1,50, ainda que o governo lute contra, e que a bolsa termina 2011 entre 120 e 130 mil pontos base.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
VIVO4
Bom, falemos um pouco da VIVO4, minha nova aposta na Bovespa. Eu procuro sempre ativos que possam dar um retorno seguro. A mesma teve um lucro líquido no trimestre de cerca de 602 milhões. Como o 3º trimestre do ano passado registrou lucro líquido de cerca de 304 milhões, houve, portanto, um aumento no lucro por ação da companhia.
Da mesma forma, se pegarmos o lucro por ação da VIVO4 antes de sair o resultado desse 3º trimestre de 2010 e levarmos em conta o preço de 46 reais, em que era cotada a ação antes da alavancagem pela qual passou ao longo do mês de outubro, veremos que o P/L estava em 18,63. O P/L hoje, com o resultado divulgado há pouco, é de 16,40. Ou seja, ainda que o mercado tenha precificado parte do lucro ao longo do mês de outubro, ainda assim há um espaço para ganho de cerca de 14%.
Ademais, a empresa aumentou seu market-share e melhorou seu Ebitda e sua receita líquida. O que demonstra consistência no resultado. Creio que a empresa seja um bom investimento para as próximas semanas. Lembrando sempre que a cotação dos ativos é muito influenciada pelo humor do mercado. O que, no caso de uma perspectiva negativa, dificultará a realização de forma tão rápida.