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terça-feira, 12 de abril de 2011

O Aumento no IOF

O IOF (imposto sobre operações financeiras) foi majorado nos últimos dias para as compras a prazo. Da mesma forma, dentro de cerca de 30 dias será majorado o IOF sobre compras no cartão de crédito no exterior.

A ideia do aumento do IOF está consubstanciada em duas vias. Por um lado compensar a perda de receitas oriundas da revisão da tabela de isenção do IR (imposto de renda), a outra para frear o consumo. A questão mais peculiar nisso tudo, é que o país, nos últimos anos, quando queria reduzir o consumo, por entender que esse era inflacionário, elevava a taxa de juros Selic. Por que dessa vez foi diferente?

Nos últimos anos vem se elevando o grau de endividamento do brasileiro médio (em 2010, ano passado, o volume de dívidas do brasileiro bateu recorde, indo a R$ 555 bilhões, o que represenvata à época, quase 40% da renda anual da população, segundo dados da LCA Consultores). Isso coloca em risco o crescimento sustentado da economia. Não no presente, em que a economia crescendo a taxas razoáveis. No entanto, qualquer situação que gere desemprego e ponha um freio na economia do país representará um grande risco de inadimplência. Ciente disso, o governo tenta conter o consumo e a inadimplência ao mesmo tempo em que mantém sua receita provinda da arrecadação tributária.

Se, para conter o consumo, o governo utilizasse a elevação da taxa de juros Selic, teríamos um efeito neutro sobre toda a economia. No entanto, aumentaria os gastos do gerenciamento da dívida pública, já que 32,53% da dívida pública federal é formada por LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), cujo indexador é a taxa de juros selic.

Essa escolha de aumentar o IOF nas compras a prazo, somado ao aumento para daqui a cerca de 30 dias do IOF no cartão de compras no exterior, ao invés do aumento da Selic, mostra que o governo não está preocupado apenas em conter o consumo das famílias. Pode-se argumentar que o motivo maior é o de controlar o aumento na inadimplência que, em um outro momento futuro, pode deixar as empresas brasileiras que dependam do consumo interno em uma situação difícil. O objetivo é tentar desestimular o crédito, as compras a prazo.

É esperado que vá ocorrer uma freada no consumo, porque as empresas se anteciparão reduzindo seus estoques e suas produção. Nada absurdo, apenas o necessário, dado que o IOF não tem um impacto tão imenso assim nos custos de produção. Mas por certo isso reduzirá o incentivo a investir, a expandir a produção e arrefecera o crescimento em determinados setores. A consequência é a redução esperada no fluxo de caixa futuro para os próximos períodos. E, por conseguinte, um espaço um pouco menor do que o seria para o aumento no preço de cotação das ações.

Ainda estamos com espaços para crescer e a economia continuará assim. O governo está apenas corrigindo os rumos. O triste não é o aumento no IOF para as compras a prazo ou no exterior. triste é saber que o produto brasileiro é caro porque o custo de produção é elevado. Elevado pela excessiva carga tributária, pela perda de parte da produção nas estradas mal cuidadas, perdas de produção que se deterioram nos armazéns públicos em mal conservação, perda de produção nos galpões dos portos mal conservados e mal equipados. Triste é saber que esse aumento do IOF não vai para a melhoria da infraestrutura do país, não vai reduzir o custo do escoamento da produção. O aumento do IOF só entrará no fluxo de caixa das empresas para onerar o custo, sem contrapartida governamental para melhorias na infraestrutura e consequências como aumento das receitas ou redução de perdas de produção, como supradito.

É verdade, vale a ressalva, que o governo manterá as inúmeras linhas de crédito subsidiadas que oferece ao empresariado nacional. Sob a triste pena da acomodação e volta da ineficiência industrial. Em nome, é claro, do desenvolvimentismo nacional.

Para os do mercado acionário brasileiro, esperemos um espaço um pouco menor para o crescimento da ações projetados anteriormente. Vale dizer, provavelmente, teremos nas próximas semanas uma revisão para baixo do preço esperado para as ações daqui a 1 ano.

domingo, 20 de março de 2011

O Quanto a Política Econômica Pode Afetar Nossa Vida

Muitas pessoas, infelizmente, não se dão conta do quanto uma determinada política governamental pode afetar nossas vidas. Na verdade, o efeito de uma determinada política econômica só será sentido, em dadas situações, anos depois. O exemplo mais clássico e notório é o do Plano Real. As pessoas costumam acreditar que o efeito do Plano Real foi o de que reduziu a inflação, trazendo estabilidade e a consequente, possibilidade de se investir a longo prazo ou comprar por um prazo mais longo. E isso ocorreu porque fica crível saber quanto se pagará por uma prestação que irá ser paga daqui a 6 meses, ou investir para obter um retorno para daqui a 1 ano, por exemplo. O valor do dinheiro é o mesmo, independente do decurso do tempo, em um cenário de estabilidade dos preços.

No entanto, o efeito do Plano Real foi além disso. Existem alguns motivos que fazem com que as taxas de juros sejam elevadas, no Brasil, entre eles a inadimplência e a baixa poupança nacional. O Brasil tinha até antes do Plano Real um histórico de ter realizado 7 acordos com o FMI e ter feito o favor de descumprir os 7. Isso muito ocorria devido as constantes desestabilidades monetárias que o país sofria. A partir do Plano Real, com o compromisso firmado com a estabilidade monetária, não era mais possível ao governo brasileiro imprimir mais moedas para pagar a dívida contraída no passado. Dessa forma, o governo precisava captar recursos no mercado, poupanças privadas, para pagar sua dívida para qual não havia poupado recursos para pagar. Assim, o governo precisava cumprir o que acordara antes e evitar uma escalada inflacionária, fruto da emissão monetária para pagar a dívida que vencia.

O problema é que a essa época, os primeiros anos do Plano Real, o gasto do governo era muito elevado frente as receitas. Ainda não havíamos iniciado o processo de escalada da carga tributária. Assim, gerávamos um déficit primário. Em outras palavras, gastávamos mais do que arrecadávamos. Mais que isso, o resultado primário é calculado confrontando-se as receitas e as despesas para um dado ano, antes de se calcular o pagamento dos juros da dívida passada. Assim, o governo não só não tinha recursos para pagar o principal e o juros do último período  da dívida que estava vencendo, como também não tinha dinheiro para pagar os juros de outras dívidas que ainda não estavam vencendo e ainda precisava pegar dinheiro no mercado para pagar as despesas desse ano em curso para a qual o gasto fora superior a arrecadação (o tal déficit primário).

Em um cenário como esse, o montante que o governo precisa captar no mercado é muito elevado. Como nossas poupanças internas são baixas sofríamos de duas anomalias. A primeira, como havia mais pessoas procurando dinheiro emprestado do que pessoas dispostas a emprestar (aqui, para nós, pessoas tanto são físicas quanto jurídicas, da mesma forma, tanto podem ser públicas quanto privadas), o custo desse dinheiro era elevado. Chamamos em Economia o custo do dinheiro de taxa de juros. Portanto, fica claro o porquê nessa época as taxas de juros eram tão elevadas. Era elevada porque o governo gastava mais do que podia e ia pegar parte das poupanças que seriam direcionadas para os investimentos das empresas e às compras a prazo que as pessoas fazem no crediário. Assim, havia muita gente procurando empréstimos e pouca gente disposta a emprestar, fazendo com que, no Brasil, as taxas de juros fossem tão elevadas. Do mesmo modo, fica claro porque, após passarmos a ter durante anos seguidos uma política de superávit primário, as taxas de juros foram, aos poucos baixando no Brasil.

A outra anomalia, é que, o governo, para baixar as taxas de juros internas, precisava aumentar o volume de oferta de moeda. Para tanto, ele acabou deixando que adentrasse o país uma grande quantidade de recursos estrangeiros que vinham apenas especular com ativos, no Brasil. Por maiores que fossem as críticas na época, não havia outra escolha até que se ajustassem as contas internas. O ajuste veio por meio do aumento da carga tributária, que continua a crescer ainda hoje.

Dessa forma, sofriamos no início do Plano real com baixo montante de investimentos, fruto das elevadas taxas de juros. Isso gerava pouco emprego, aumentando as carências da população. Hoje, sofremos da carga tributária elevada. Com ela, os preços dos produtos são maiores do que o seriam de outra forma. A consequência é que temos dificuldades de fazer com que nosso produto concorra no exterior. Daí as inúmeras desonerações da produção que se destina ao estrangeiro, uma forma de desencarecer o produto nacional no exterior.

A outra distorção da elevada carga tributária é que nesse cenário a demanda é menor do que deveria ser. Pessoas que estariam dispostas a comprar uma determinada quantidade de certo produto, compram menos ou não o compram, simplesmente porque não cabe em seu orçamento, dado o elevado preço dos produtos no Brasil. A consequência é que os custos de produção são maiores (o aumento da produção gera ganhos de escala que fazem reduzir os custos unitários do produto, em muitas indústrias) e as receitas, dependendo da elasticidade preço do produto, também são menores na maior parte dos casos.

A política econômica afeta, e muito, sua vida. Fique de olho, é bom saber o impacto que uma dada política econômica pode ter sobre sua vida, sobre a vida de sua empresa ou sobre a vida de uma empresa que você queira investir.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Os Diferentes Fluxos de Caixa

Falemos agora de algo muito importante para qualquer empresa que é o Fluxo de Caixa. Se queremos saber qual o preço a se pagar para adquirir uma empresa, é com base no Fluxo de Caixa que iremos descobrtir esse valor.

No entanto, existem 4 espécies de fluxos de caixa (ou que pelo menos recebem essa alcunha), cada qual com sua atribuição específica. O primeiro deles é o Controle de Caixa, que registra os movimentos financeiros diários de uma empresa. Infelizmente, muitos denominam esse controle de caixa (de vital importância para a empresa) de fluxo de caixa. Na verdade, o controle de caixa registra as entradas de caixa daquele dia. Oriundas, por exemplo, de aplicações financeiras com recursos ociosos, vendas a vista, recebimento de vendas feitas a prazo em uma data anterior. Do mesmo modo, esse controle de caixa também registra as saídas de caixa daquele dia, oriundas, por exemplo, de pagamentos de duplicatas de compras contraídas no passado, pagamento de compras a vista, pagamentos de tributos naquele dia, entre outros pagamentos. No final do dia, o confronto entre as entradas e as saídas somado ao saldo existente em caixa no início do dia nos dá o saldo de caixa ao fim do dia, o qual será o saldo inicial do dia seguinte e assim sucessivamente.

Um outro fluxo de caixa é a Demonstração do Fluxo de Caixa, um demonstrativo contábil com projeto de lei tramitando no Congresso Nacional para torná-lo obrigatório para as sociedades anônimas de capital aberto, substituindo a Demonstração das Origens e Aplicaçõesde Recursos. Uma peça útil que retrata quais as contas contábeis que fizeram com que houvesse variação nas disponibilidades da empresa entre um período e outro.

O terceiro fluxo de caixa a se falar aqui é de vital importância para o gerenciamento dos negócios de uma empresa, tal qual o é o controle de caixa. Trata-se do fluxo de caixa estimado para os próximos meses. Por meio dele a empresa projeta quanto será o custo variável, quanto será o pagamento de tributos para os próximos meses, do mesmo modo, pode estimar a demanda de seu produto levando em conta a sazonalidade do mesmo, como vai se comportar o preço de seu produto no mercado, quanto deve realizar de vendas a prazo e o quanto esperar de inadimplência. Em suma, com o fluxo de caixa estimado para os próximos meses bem elaborado, a empresa pode projetar estratégias para aumentar sua participação no mercado ou, ainda, encontrar meios de se tornar mais eficiente, reduzindo custos desnecessários.

O quarto fluxo de caixa é aquele em o analista projeta o fluxo de caixa para os próximos anos, via de regra um cenário de 3 a 5 anos. Da mesma forma como é feito para o fluxo de caixa para os próximos meses, tal qual o fazemos para o fluxo de caixa para os próximos anos. A diferença é que a variação no preço dos insumos, a variação no preço do produto da empresa, o tamanho da demanda, entre outros fatores, podem sofrer maior variação. Daí a importância maior de se trabalhar com diferentes cenários. Em geral, o que se faz é montar um cenário moderado, que é o cenário normal e, daí, montar um cenário otimista e um pessimista. Para montagem do cenário otimista pode-se fazer com que a demanda aumente 10%, por exemplo, o preço aumente 10%; em suma, tudo melhore 10%, ou um fator de proporção fixo que se escolha, sem ser 10%. Ou ainda, se o analista tiver dados mais confiáveis, usar esses dados. Isso vai ser feito tanto para o cenário otimista, como explicado, quanto para o cenário pessimista. Após isso, calcula-se an sensibilidade dessas variação do cenário otimista (ou pessimista) em relação ao cenário padrão, dito, por nós, como moderado. Ao descontar esse fluxo de caixa para o valor presente, a empresa tem uma noção clara se o projeto (no caso de a empresa estiver adquirido uma nova planta de produção, por exemplo) é ou não viável, por meio das técnicas de decisão de investimento, como o valor presente líquido (VPL). Ou, no casop de um analista analisando o preço justo de uma ação, ele desconta o fluxo de caixa com a taxa de desconto que considera apropriada e vê o resultado que se deu na data 1. Por isso que a projeção do preço justo de uma ação se dá sempre para daqui a 12 meses, pois se desconta até a data 1 e não para a data presente (data zero).

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Importância de se Estimar a Demanda

Uma das coisas mais difíceis, tanto para uma empresa quanto para quem deseja estimar o preço ótimo de um ativo é prever a demanda futura da mesma. Estimar a demanda futura de um produto é importante para o empresário pois pode atuar de forma a otimizar sua produção e trabalhar para uma adequada gestão do Prazo Médio de Rotação dos Estoques (PMRE), ou ainda, aumentar o Giro dos Estoques, combinado com o Prazo Médio de Pagamento de Duplicatas  (PMPD) e Prazo Médio de Pagamentos de Fornecedores (PMPF). (Todos esses índices são montados a partir dos Balanços de resultados elaborados pela empresa.) Assim, tendo noção de qual a estimativa de demanda que possui fica mais fácil planejar sua produção e, consequentemente, se tornar mais eficiente. Uma maior eficiência da empresa permite a ela diluir seu custo em uma produção com menos sobras e, assim, diminuir o desperdício. A consequência é que ela dilui o seu custo de forma a desonerar a produção, tornando seu produto por unidade com um custo menor (digamos porque ela precisa conservar menos os produtos em estocagem e, portanto, o custo dessa fora reduzido). Assim, das duas uma: ou a empresa aumentará sua margem de lucro ao preço cobrado anteriormente, uma vez que seu custo diminuiu; ou manterá sua margem de lucro, passando o ganho com a redução do custo para um prço mais baixo, buscando, dessa forma, angariar o mercado de seus concorrentes.A escolha da empresa se dará com base nas estratégias de seus negócios e isso variará de empresa para empresa, porque dependerá da situação particular vivenciada por cada uma em dado momento.

A estimativa de demanda, por parte da empresa, segue duas visões: uma de curto e médio prazo e outra, mais estratégica, de longo prazo. A estimativa de curto e médio parazo da demanda serve para a previsão do fluxo de caixa para os próximo meses: digamos, os próximos 6 meses. A outra, de longo prazo, para elaborar os diferentes cenários que podem surgir diante dessa empresa e a sensibilidade que se tem para uma variável no estudo. Exemplo, se o preço de venda estiver, digamos, 20% acima do estimado para o cenário moderado, qual o impacto que isso terá sobre o Valor Presente Líquido (vale dizer, o valor presente do fluxo de caixa estimado para o futuro) do estudo em questão.

Ambos os estados, quer de curto e médio prazo, quer de longo prazo, são importantes para a empresa. Para o profissional que estuda se deve ou não comprar um ativo saber as perspectivas para o fluxo de caixa dos próximos meses  talvez não seja tão fácil, uma vez que não terá o volume de vendas dos últimos meses e nem tampouco, a sazionalidade dos anos anteriores para saber o percentual da mesma e o quanto impacta as vendas de um mês para o outro. Afinal, é sabido que certos produtos encontram maior demanda certos meses em detrimento de outros meses. No estanto, este pode, ainda sim, obter a demanda futura para os próximos anos, uma vez que pode, por meio de uma regressão (seja simples, seja múltipla - técnica econométrica...não falaremos dela nessa postagem, fica essa possibilidade para o futuro) projetar um intervalo de confiança para essa demanda. Assim, com o volume de vendas em um intervalo de confiança, este pode projetar como variará, dada a conjuntura econômica que se espera para a economia e para o setor específico do produto da empresa em questão, obter a receita e o custo de produção para os próximos anos.

Óbvio, estamos em um exercício de estimação. Tanto para a empresa, quanto para o analista dessa empresa que deseja comprar seu ativo (ou, quiçá, vendê-lo) não se terá certeza absoluta de nada, apenas se está dando maior embasamento para o futuro, tendo parâmetros mais próximos para o que realmente se espera para o futuro. Não obstante não se ter certeza de nada, ainda assim isso é relevante, na medida que nos dá um guia de ação. No entanto, deve ficar claro, tanto para quem analisa a empresa quanto para a empresa em si, que essa estimação da demanda e o consequente fluxo de caixa estimado para os próximos anos devem ser revistos de tempos em tempos para adequá-lo à realidade da empresa e à conjuntura econômica da economia como um todo e do setor onde ela (a empresa) atua. Afinal, quanto maior a lacuna de tempo tanto maior a chance de previsão errada. Em outras palavras, quanto mais afastado no tempo a previsão (digamos, para daqui a 3 anos, por exemplo) mas complicado de se prever com grande acurácia a demanda do produto. Assim, a demanda prevista para o ano que vem tem maior probavbilidade de acerto do que a estimativa da demanda para um certo produto para daqui a 3 anos. Inúmeras coisas podem acontecer entre hoje e daqui a 1 ano que podem nos desviar do que projetamos (por isso devem os sempre acompanhar essa projeção elaborada), mas ainda assim, muito provavelmente o desvio não será tão grande assim, se ocorrer o ajuste devido, fruto do acompanhamento das vendas no dia-a-dia da empresa. No entanto, em 3 anos podem ocorrer tantas, mas tantas coisas, que a chance de se cometer um erro aumenta consideravelmente.

Como fora dito em uma das primeiras postagens aqui, neste fórum, para o analista financeiro que aplique por conta própria, existem outras variáveis que exigem menos conhecimento, menos estudos e que dão um resultado próximo para se saber se deve ou não comprar um ativo. Rwefiro-me ao método do P/L, do P/VPA, por exemplo.

Em uma próxima postagem, elaborarei melhor a montagem do fluxo de caixa, a estimação da demanda, com as técnicas apropriadas e os diferentes fluxos de caixa existentes em uma empresa. Pretendo, no futuro, falar também do porquê muitas empresas dão lucro, mas quando começam a crescer acabam quebrando e como se deve fazer uma boa gestão de sua empresa.

Abraços a todos!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fluxo de Caixa e sua Importância Econômico-Financeira

Infelizmente, não tenho tido muito tempo para postar aqui, no blog. Na medida do que me for possível, tentarei voltar a escrever novos textos. Hoje, vou dissertar um pouco sobre o fluxo de caixa.

Muitas empresas incipientes mantém seu controle das entradas e das saídas dos recursos por meio de anotações simples, como o livro-caixa, o registro no livro diário... Mais tarde se elabora o balanço patrimonial e mesmo a demonstração do resultado do exercício. No entanto, o cuidado com o resultado financeiro da empresa não pode ser medido por esses dois balanços, ainda que muito importantes ambos, pela nossa legislação tributária. O resultado econômico, vale dizer, não reflete, na imensa maioria dos casos, o resultado financeiro.

A justificativa para isso está em duas questões a serem analisadas aqui. Uma é a diferença entre o regime de competência das receitas e das despesas e o regime de caixa das receitas e das despesas. A outra questão está, como supracitado, na legislação tributária.  Então, analisemos as coisas com calma.

Primeiro, falemos dos regimes de competência e regime de caixa. O regime de competência nos diz que as receitas e as despesas devem ser registradas no momento de sua constituição. Em outras palavras, no momento em que esteja acordada a venda, ainda que a prazo, no caso das receitas, ou, no caso das despesas, no momento em que esteja constituída materialmente, por meio de uma aquisição de um serviço ou bem. Assim, ainda que a entrada do numerário só se dê no futuro, para empresa, pelo regime de competência, o registro se faz no ato.

Por outro lado, no regime de caixa, as receitas e despesas somente serão registradas quando de sua efetiva movimentação no financeiro da empresa. Assim, uma venda de um bem a prazo, só será registrada quando do recebimento dos recursos pagos pelo bem, ainda que a cessão do bem se dê hoje. O mesmo vale para as despesas: uma compra a prazo de um equipamento, com 50% de entrada e o restante a ser pago daqui a 30 dias, é registrada a despesa de 50% do montante hoje, e os outros 50% somente serão registrados daqui a 30 dias.

Dessa forma, o regime de caixa reflete melhor as entradas e saídas dos recursos, uma vez que somente quando entra o dinheiro de fato na empresa é que esta o registra. Do mesmo modo, somente quando do pagamento e, consequente, saída do dinheiro da empresa é que está o registra.  Para uma empresa, o que interessa, de fato, não é a promessa de entrada de recurso, ou a perspectiva de saída do mesmo, mas a sua real entrada ou real saída. Isso porque, se uma empresa tem 30 dias para pagar a prestação de um bem adquirido pela mesma, ela pode pegar esse recurso e aplicá-lo, quer na empresa, quer em um ativo no mercado financeiro, e com isso, obter um ganho em cima dessa aplicação. Ganho esse que irá aumentar o resultado da empresa. Do mesmo modo, a empresa pode registrar a obtenção de uma receita, que não venha a si materializar, por falência do devedor. Ou ainda, tenha feito, a empresa, uma provisão para perdas maior que a devido de fato.

A legislação brasileira segue o regime de competência, uma vez que o mesmo é obrigatório, segundo a legislação do Imposto de Renda. Não obstante, o resultado financeiro só é obtido de forma válida quando se leva em conta o regime de caixa, uma vez que esse registra as reais entradas e saídas de recursos.

Uma outra coisa a se salientar, e aqui vamos para o segundo ponto, é a forma como é elaborado o lucro líquido. Essa forma, seguida pela Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é determinada pela legislação do Imposto de Renda. Não visa o lucro líquido de um período, uma vez que a empresa registra como lucro líquido receitas que ainda não se realizaram. Ainda que se provisione para devedores duvidosos, o mesmo pode ser maior ou menor que o lucro de fato. Além do fato de a despesa contar valores que não necessariamente foram pagos no período correspondente, isso porque a promessa de pagamento pode estar acertada para uma data do próximo período.

Ademais, uma empresa pode realizar lucro ao fim do período, pela Demonstração do Resultado do Exercício e estar em situação de insolvência. A justificativa para uma situação dessa está baseada no fato de que uma empresa pode ter contraído negociações tais ao longo do período que as receitas foram em boa parte obtidas a prazo, por meio, digamos, de crediário ou de recebimento de duplicatas. Não obstante, as despesas, em sua grande maioria, foram pagas a vista. Nesse caso, se as receitas forem consideráveis, a empresa pode registrar um lucro líquido ao fim do período. No entanto, o resultado de caixa pode ser negativo. Isso porque parte das receitas ainda será recebidas, enquanto as despesas são pagas, como dito, em boa parte, no ato. A consequência, é a redução no caixa da empresa, ou, pelo menos, um grande risco para a mesma. Uma estratégia de política comercial sem dúvida arriscada.

Com esse pensamentos, penso ter deixado claro a importância de se realizar e analisar a forma como ocorrem os fluxos de entradas e saídas de caixa da empresa. Uma outra coisa que vale a pena realçar, é que apesar de os fluxos de caixa serem importantes, existe uma diferença entre o fluxo de caixa contábil e o fluxo de caixa econômico.

O fluxo de caixa contábil está substanciado na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), que pode ser obtido pelo método direto ou indireto, os quais não falaremos aqui dada a limitação de espaço. Seu resultado final é retratado pelo quanto de Disponível possui a empresa ao fim do período em análise. Do mesmo modo, revela como variou entre o início do período e seu término. Sem dúvida, essas informações são de grande relevância, tanto para a empresa quanto para quem a analisar.

No entanto, se queremos analisar as estratégias da empresa, devemos nos focar no fluxo de caixa, sob o aspecto econômico. Em outras palavras, devemos nos ater aos custos variáveis, aos custos fixos, o preço dos insumos, como está o mercado de insumos para a empresa em questão, qual a capacidade produtiva da empresa, quanto ela usa dessa capacidade produtiva, qual o preço médio de seu produto. Em suma, temos que detalhar os aspectos reais de mercado sobre as receitas e despesas da empresa. Do mesmo modo, em um segundo passo, temos que nos ater as capacidades futuras da empresa e suas possibilidades estratégicas para expandir-se, tomar mercado das demais, entre outras informações. Com base nesse fluxo de caixa, a empresa saberá como está sua variação de caixa, seu real potencial e quais estratégis de decisão tomar para o futuro.